Advogado acusa PM de truculência

 

Anna Lúcia Silva

Ação policial realizada no fim de semana vem dando o que falar, principalmente nas redes sociais. O advogado Anselmo Alves de Carvalho Júnior, 24, acusa a Polícia Militar (PM) em Divinópolis de truculência, abuso de poder e agressão, após o fato ocorrido na última sexta-feira, 3, na região central, onde ele e um grupo de amigos foram abordados por militares durante uma batida policial.

Anselmo desabafou nas redes sociais e chegou a comparar o ato com a ditadura vivida em 1964. Após ser agredido fisicamente ele conta que foi preso e maltratado. Ainda conforme seus relatos, os militares só passaram a respeitá-lo quando tomaram ciência de que ele é advogado e filho de um juiz. No Boletim de Ocorrência, os militares justificam a prisão do jovem como desobediência.

— A polícia me prendeu, sem qualquer crime ou razão em um momento em que muitas pessoas agiam pacificamente na porta de um bar, onde algumas bebiam, outras não, sem qualquer agitação, sem som, sem qualquer confusão. Por volta das 23h, quatro viaturas da PM pararam abruptamente na frente do estabelecimento, aproximadamente seis policiais desembarcaram e, com toda agressividade possível, começaram a dar uma “batida” na frente da única porta do bar — lembrou o jovem.

Ação truculenta

Ainda conforme declarou Anselmo, após desembarcarem das viaturas, dois policiais, sacaram as armas em direção aos clientes do bar. Nesta ocasião, ele se identificou como advogado e questionou a um dos militares sobre a atitude e armas em punho, justificando assim que eles estavam colocando em risco todos os presentes.

— Me dirigi a outro policial e o pedi que acalmasse um dos que estava mais exaltado, mas fui ignorado. Permaneci sentado na primeira mesa ao lado da porta, onde estava meu grupo de amigos. Então, três policiais entraram no bar e prontamente começaram a me agredir sem motivo. Um deles chegou a torcer meu braço esquerdo para trás e tentou quebrá-lo. Logo após, outro agarrou meu braço direito e um foi por trás e me algemou, deixando hematomas nos meus pulsos. Isso sem que eu tivesse apresentado qualquer resistência, absolutamente nenhuma, e sem que houvesse qualquer risco de fuga — explicou.

Levado à delegacia

Após as agressões, que segundo Anselmo não cessaram, ele foi conduzido à delegacia da Polícia Civil (PC). Ao ser puxado para fora do carro, observou e guardou o nome dos policiais que estavam cometendo o suposto abuso de autoridade.

— Já dentro da delegacia, sem qualquer motivo que justificasse o que fizeram, os policiais conversaram entre si e resolveram que iriam registrar a prisão por desobediência. Me colocaram em pé, de frente para uma parede, algemado. Assim que me identificaram e viram que eu era advogado, retiraram as algemas e não me colocaram na cela. Me mandaram sentar. Como um passe de mágica, passaram a ter educação, a dizer, por favor, e obrigado — contou.

Na delegacia o pai de Anselmo chegou acompanhado de outro advogado, momento em que o jovem relata que todos os policiais mudaram suas atitudes, passando a agir com cortesia.

— Minutos depois, os policias devolveram meus pertences e após as formalidades, fui liberado sem sequer ser ouvido. Ao meu pai, o mesmo policial disse: “foi um prazer conhecer o senhor, doutor”. Assinei somente um Termo de Compromisso de Comparecimento e fui embora para casa — disse.

 BO contra os militares

Segundo Anselmo, ainda não foi feito um boletim de ocorrência contra os militares, mas ressaltou que tomará esta e outras medidas pertinentes aos atos descritos por ele como abuso de autoridade.

O outro lado

O comandante do 23º Batalhão da PM, tenente-coronel, Rodrigo Coimbra, disse que a PM é e sempre foi isenta quanto a preferências políticas e partidárias, agindo dentro da legalidade, imparcialidade e impessoalidade. Quanto ao fato em si, ele diz que será aberto procedimento apuratório, que analisará a conduta de ambas as partes, visando à busca da verdade.

 

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