Ad eternum

Editorial 

Brasil, país que não é para amadores! Nas terras tupiniquins o apego pelo poder chega a ser deprimente. Aqui não existe essa de ser eleito e reeleito para cargo de mandatário (municipal, estadual e nacional), dar por cumprido e aposentar-se, tornar-se um palestrante, por exemplo, ou voltar para seu emprego anterior. Ou candidatar-se só uma vez e não sendo eleito, esquecer-se e dedicar a outros sonhos. Nada disso! Aqui, a regra é tentar até conseguir e largar o osso, só com a morte. Se não se candidata, dá palpite e espera um cargo se seu candidato for eleito. E há ainda aqueles que se arriscam até em estados distintos e na maioria das vezes, conseguem.  Sarney e Brizola são a prova disso.

Itamar Franco já havia sido senador por Minas Gerais, vice-presidente que com o impeachment de Fernando Collor (PTC) assumiu a Presidência e com o Plano Real poderia ter se tornado um palestrante de sucesso. Mas, não, ainda foi governador de Minas Gerais e também senador, tendo morrido aos 81 anos de idade no exercício do cargo. Lula (PT) foi deputado federal por São Paulo e concorreu às eleições presidenciais em 1984, 1994, 1998, tendo perdido todas. Em 2002, pela quarta vez candidato, foi eleito presidente e, em 2006, foi reeleito e ainda fez sua sucessora em 2010, Dilma Rousseff (PT) que chegou a dizer em uma entrevista em 2013 que ele não voltaria porque nunca tinha saído. 

Em 2017, Lula anunciou publicamente que seria candidato à Presidência e saiu em campanha pelo país.  Em 2018, foi condenado em segunda instância, sendo preso em abril. E, em agosto do mesmo ano, teve protocolado seu nome como candidato à Presidência pelo seu partido, tendo como vice Fernando Haddad. Com a negativa de sua candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Haddad se torna cabeça de chapa e Gilberto Carvalho, ex-ministro de Lula e amigo próximo, chegou a afirmar: “se Haddad ganhar, Lula é quem vai governar”. Tem-se como certo que Lula será o candidato do PT nas eleições gerais em 2022. Considerando ter nascido em 1945, contará então com 77 anos. 

E Divinópolis não foge à regra, vez que o atual prefeito está prestes a completar 88 anos e há décadas é o único candidato de seu partido (MDB) e já se confirmou candidato  à reeleição. Se ganhar, sairá em 2024, aos 92 anos de idade.  Mas não será fácil, não! E não somente para ele, mas também para alguns vereadores candidatos à reeleição e ex-vereadores também candidatos. O incidente ocorrido em um supermercado no bairro Bela Vista em que o prefeito foi duramente atacado é uma demonstração do que pode vir a acontecer com os candidatos, sem exceção.  O eleitor não os poupará, pois se não são sempre os mesmos, o rosário de promessas é. Seja pessoalmente, seja pelas redes sociais, os candidatos que se preparem. Aliás, nas redes sociais já não estão sendo poupados. Se o próprio partido e os sanguessugas que pesam nas asas de Galileu não poupam um idoso de quase 90 anos de idade, o povo não o fará. Quanto aos outros candidatos, principalmente os que já passaram pela vida pública, preparem-se. O povo, antes tido como de memória curta, boa parte não somente acordou, como ativou as lembranças e afiou a língua como nunca dantes. Haverá processos, mas o povo não se calará. Os de ego inflado, repensem, pois não encontrarão moleza!

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