Acusados de fraude milionária, proprietários da RBH estão no presídio Floramar

Gisele Souto

O casal Péricles Hazana Marques Junior, 47 anos, Sandra Mara de Oliveira Marques, 45 e o filho Rafael Marques, 27, donos da RBH Construtora já estão no presídio Floramar. Eles foram presos na última sexta-feira, 21, em Itajaí, Santa Catarina e trazidos por seis agentes da Polícia Civil de Divinópolis (PC). Chegaram na madrugada desta sexta-feira, 28, a Divinópolis e foram apresentados à imprensa após coletiva dos delegados que explicaram toda a situação envolvendo a acusação de estelionato, a fuga da cidade, o prejuízo causado aos compradores de apartamentos dos três prédios prometidos pela construtora.

Eles são acusados de outras práticas criminosas. Além de venderem apartamentos, receber o dinheiro e não concluir, não teriam acertado com funcionários e usado uma sobrinha como laranja para guardar dinheiro, oriundo de venda de bens. Ela mora em Belo Horizonte e também se encontra no Floramar desde a noite de sexta-feira, 21.

Negam

Logo depois da coletiva, os delegados apresentaram os presos. Eles pediram para não serem fotografados e filmados de frente, mas responderam as perguntas da imprensa. Perguntado por que deixaram a cidade sem dar satisfação, Péricles Hazana respondeu que tinha dado todas as explicações à polícia e, que somente seus advogados iriam falar. Já Sandra Mara disse que tudo que estava ocorrendo era uma grande jogada de marketing e que teriam deixado com algumas pessoas endereços de onde estavam. 

Nova vida

Em Santa Catarina, eles já viviam como se nada tivesse acontecido. Abriram uma empresa de cosmético no valor de R$ 169 mil e trabalhavam no novo empreendimento.  

O delegado regional, Leonardo Pio, revelou que a PC fez um rastreamento e levantou valores de bens dos envolvidos. O objetivo, segundo ele, é individualizar os crimes que cada um praticou e pelo menos, amenizar os prejuízos sofridos pelas vítimas.

— O inquérito se encontra em fase avançada de conclusão. Trata-se de uma fraude milionária. Além do estelionato, existem outros crimes, como fraudes trabalhistas que também são investigados — explica.

Valor

Estimativa de prejuízo sofrido por dezenas de pessoas que pagaram ou pagam os imóveis, de acordo com as investigações chega a R$ 60 milhões contra dezenas de vítimas.

São grandes prédios, num total de 80 apartamentos, comercializados e não concluídos: o Londres, Benfica, Paris e Lisboa. Todos ficam próximos um do outro. Na avenida Divino Espírito Santo e ruas próximas. Um está em fase de acabamento, outro com duas lajes e o Lisboa, por exemplo, só no terreno.

O advogado Victor Azevedo representa os clientes deste prédio e diz que a situação de todos está mesma. Explica que sabem só que pagaram, mas não sabem o que houve.

— Vamos entrar com ação de rescisão contratual pedindo danos materiais e morais e acompanhar a criminalmente junto ao Ministério Público, as ações que estão sendo movidas — conta.

Ele revela ainda que alguns destes imóveis já tinham compradores, porém, não se sabe ainda se estas pessoas já passaram o contrato para seus nomes.

Os preços pagos por alguns clientes vão de R$ 50 mil a quase R$ 1 milhão.

A empresa funcionava na avenida Divino Espírito Santo, Sidil, próximo de onde estão os prédios.

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