Acima dos interesses

Editorial 

As articulações do corpo humano, também chamadas de juntas, possuem duas funções principais: manter os ossos juntos e permitir a movimentação do esqueleto. E é graças à presença delas que temos um corpo estável, que consegue, por exemplo, manter a postura ereta. Assim como as do corpo, são as articulações na política que conseguem manter uma cidade funcionando. Se estas funcionarão ou não, ajudarão Divinópolis a se desenvolver, aí já é outro assunto. Como manda o figurino pós-eleições, por aqui as articulações rumo à Mesa Diretora da Câmara começaram faz tempo, mas agora, com a proximidade do dia 1º de janeiro, as negociações estão a todo vapor. 

Nas redes sociais, nota-se que Eduardo Print Júnior (PSDB) já colocou seu nome à disposição, assim como Lohanna França (CDN). Em um post no Instagram e no Twitter, Eduardo diz que já conversa com seus pares reeleitos e faz uma propaganda de sua experiência como parlamentar. Enquanto Lohanna conta que a possível chapa, formada por três novatos e um vereador reeleito, tem mais a oferecer para Divinópolis. Ainda não é possível fazer um julgamento, pois se tem algo que rege a política brasileira é a traição e os interesses próprios. Como dizem por aí: política é igual nuvem, se desfaz muito rápido. Como já relembramos neste espaço, a eleição da Mesa Diretora em 2017 foi marcada por traição e quase foi parar nas páginas policiais, devido aos ânimos extremamente exaltados. 

Porém, apesar de serem mal vistas pela população, tais articulações são essenciais para o andamento da cidade. Não existe política sem articulação, assim como o corpo humano. Não existe no Brasil política sem conchavos. Até mesmo quem se autointitulou de “nova política” não sobreviveu sem as ditas articulações. O que a população deve se atentar é ao que tais negociações levarão Divinópolis, e quais interesses estão sendo defendidos ‒ se os dos parlamentares, prefeito e vice, ou do povo. Sim, é extremamente importante identificar isso, mas é só dar uma passadinha na Câmara, durante a tarde, como quem não quer nada, conversar aqui, ali, para ver que “de boas intenções o inferno está lotado”. De um jeito ou de outro, o futuro de Divinópolis será traçado nesta sexta-feira, 1º. O resultado da eleição para a Mesa Diretora mostrará um pouco do rumo que a cidade terá nos próximos dois anos. 

Ao povo divinopolitano caberá a missão de fiscalizar essas articulações, pois o dever enquanto cidadão está apenas começando. Ainda há longos quatro anos pela frente. E não é porque o seu candidato ganhou que ele está isento de cometer erros, deslizes, e até mesmo negociações duvidosas. O desejo é que Divinópolis tenha um bom início de ano e que essas articulações façam com que a cidade se movimente, cresça, se mantenha ereta e que os interesses do povo estejam acima de qualquer outra coisa. Como dizem por aí: dia 1º “quem viver verá” os rumos da Cidade do Divino para os próximos dois anos.

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