Acidente com trem reacende polêmica de falta de canceleiros em Divinópolis

Pollyanna Martins

Um acidente entre um ônibus e um trem, na manhã de ontem, no bairro Catalão, reativou uma polêmica em Divinópolis: a falta de “canceleiros” nas passagens de nível. O acidente aconteceu na avenida Amazonas, por volta das 5h30. No local, não tem canceleiro.

No ano passado, a Prefeitura retirou os funcionários que controlavam a maioria das cancelas. Na cidade, existem dez cancelas distribuídas ao lon­go do contorno ferroviário, responsáveis pela divisão da linha férrea e da rua.

Competia à Prefeitura de Divinópolis o pagamento dos trabalhadores que operavam as cancelas. De acordo com uma fonte da administração municipal, o Poder Executivo gastava cerca de R$ 1,2 milhão para manter os funcionários operando as cancelas. Ao todo, eram 26 funcionários atuando dia e noite durante toda a semana. 

Desde janeiro do ano passado, membros da Secretaria Municipal de Trânsito e Trans­portes (Settrans) e da VLI, em­presa responsável pela ferrovia em Divinópolis, analisavam a implantação de um sistema automatizado de cancelas. Ainda segundo a fonte, para fazer qualquer modernização nas passagens de nível em Divinópolis o investimento teria de ser feito pela VLI.

Em nota, a Prefeitura informou que atualmente as cancelas do bairro Niterói, nas Avenidas 7 de Setembro, Antônio Olímpio de Morais e Paraná contam com funcionários 24 horas. A Prefeitura disse ainda que a função vem sendo abolida, a exemplo de outras cidades por onde passa ferrovia.

— A decisão das prefeituras tem como base o fato de que a determinação legal é de que os municípios sinalizem esses cruzamentos. Em casos específicos de necessidade de cancela, é uma função que deve ser executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) ou pela própria concessionária — alega.

VLI

A VLI informou em nota que mantém o diálogo permanente com a Prefeitura para avaliar as demandas do Município, entre elas, questões relacionadas à mobilidade urbana. A empresa esclareceu que as passagens de nível dispõem de sinalização com placas que alertam motoristas e pedestres sobre a circulação de trens e que, nos cruzamentos, a preferência é do trem.

Conforme ressaltou a VLI, como procedimento de segurança, os maquinistas acionam buzina e faróis para alertar sobre a aproximação.

— Além disso, a empresa mantém também campanhas constantes ao longo do ano com o objetivo de orientar condutores e pedestres sobre a importância de manter um comportamento seguro em relação aos trilhos. Um dos pontos ressaltados é que, após o acionamento dos freios, um trem pode necessitar de até um quilômetro para parar totalmente.

A empresa não respondeu se a automatização das cancelas será feita em Divinópolis.

O acidente

O trem bateu na lateral do ônibus que fazia a linha Santa Tereza/Jardim das Acácias. Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, no momento do acidente estavam três passageiros no veículo, além do motorista. Com o impacto da batida, dois passageiros caíram e sofreram escoriações; eles foram socorridos e encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h).

Uma moradora próxima ao local do acidente relatou que a batida aconteceu porque, na passagem de nível, não há funcionário para controlar a cancela. De acordo com a mulher, um poste da Cemig caiu por causa da batida e a região ficou sem energia elétrica. Por volta das 10h30, funcionários da companhia já estavam no local para restabelecer o serviço.

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