Acendeu um alerta?

Editorial - Acendeu um alerta? 

Desde que o mundo é mundo, todos sabem que para toda ação há uma reação. E, para aqueles que dizem que isso é apenas uma teoria conspiratória do universo, a terceira lei de Newton (princípio da ação e reação) está aí para provar que, muito além de um “delírio coletivo”, aquele velho ditado “aqui se faz, aqui se paga” é física pura. Segundo Newton, para toda força de ação existe uma força de reação que possui o mesmo módulo e direção, porém em sentido contrário, ou seja, as forças de ação e reação apresentam a mesma intensidade e a mesma direção, porém, o sentido é contrário. O Brasil vive neste momento a expectativa do que será este 7 de setembro de 2021. Protestos, carreatas e passeatas estão marcadas para os quatro cantos do Brasil. O tema, de acordo com as divulgações feitas, é: "Juntos em oração pela nação brasileira, pela liberdade, pela família e pela democracia". 

A situação passaria despercebida se não fossem dois pontos chaves. O primeiro: as últimas declarações do chefe do Executivo nacional, as seguidas convocações para as manifestações, teriam acendido um alerta sobre um possível golpe? O segundo ponto é o fato de a população mais uma vez se deixar ser usada como massa de manobra, mesmo passando por tantas dificuldades,  inflação nas alturas e outros impactos da pandemia de covid-19. Assim como em 2016, quando o povo foi às ruas pedir o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), hoje, o povo vai às ruas manifestar por algo que ainda nem se sabe direito o que é. Afinal, quem não é livre aqui? Livre para ter a sua família (ao seu molde), livre para ir e vir, direito garantido pela Constituição Federal, em outras palavras, pela democracia. Quem não é livre no Brasil?

Por falar em liberdade, esse é justamente o ponto chave dos protestos que serão realizados hoje ao longo do dia: lei da ação e reação. O povo pode pedir, mas aguentará as consequências? Ir às ruas e ser usado terá seus resultados? Mais uma vez, Newton tem razão: lei da ação e reação. E a grande pergunta é: o povo conseguirá lidar com as consequências de seus atos e seus desejos? Assim como garante a democracia brasileira, hoje a população vai às ruas pedir pela família, pela liberdade, pela democracia (?), mas não deveriam pedir também por ações efetivas que controlem o desemprego no país? São mais de 14 milhões de desempregados neste momento; mais de sete milhões de brasileiros na linha da extrema pobreza. Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, a expectativa do mercado para o ano de 2021 subiu de 7,11% para 7,27%. O centro da meta de inflação, em 2020, é de 3,75%.

E, sem fazer juízo de ideologia política, de partido, de candidato A ou B, talvez esses, sim, seriam bons motivos para ir às ruas protestar. Afinal, quem está pagando mais  de R$ 7 em um litro de óleo, R$ 7 em um litro de gasolina, R$ 107 em um botijão de gás e não está reclamando, ou minimamente sentindo no bolso, deve estar com a “vida ganha”, e mais preocupado em apoiar um possível retrocesso na economia, do que o próximo ter comida na mesa.

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