Ação social em Divinópolis marca dia do portador de marcapasso

Da Redação 

Com o tema “Não deixe o seu coração sair do ritmo, tome uma medida de pulso”, médicos, alunos e profissionais da área de saúde vão promover uma campanha para orientar a população como identificar alterações nos batimentos cardíacos, que podem ser indicativos de arritmias cardíacas, de uma forma bastante simples: pela medição dos batimentos no pulso. 

Em Divinópolis, a comemoração dessa data será realizada em 24 de setembro, das 9 às 11h, próximo à portaria do Pronto Atendimento do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), em evento aberto e gratuito a toda população.  

A campanha será coordenada pelo médico cardiologista e arritmologista Daniel Soares Sousa que, juntamente com alunos da Universidade Federal de São João del-Rei e profissionais da área de saúde, distribuirão cartilhas com explicações sobre os principais dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis, suas indicações, cuidados pré e pós-operatórios e orientações para a prática de esportes e atividades diárias. Serão esclarecidas dúvidas como possíveis interferências de outros aparelhos eletrônicos como: micro-ondas, portas giratórias de bancos, ressonância magnética, uso de celulares e eletrodomésticos. 

De acordo com Daniel Soares Sousa, a intenção é atingir toda a população que circula pelo hospital: profissionais da área de saúde, acompanhantes e pacientes. 

— As doenças cardiovasculares são as principais causas de mortalidade em todo o mundo. Dentre essas estão a insuficiência e as arritmias cardíacas, sendo essa última a principal causa de morte súbita. Os dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (marcapassos, cardiodesfibriladores e ressincronizadores cardíacos) sāo ferramentas extraordinárias para o tratamento dessas doenças. 

O arritmologista acrescenta que “as principais atividades da campanha serão: medir a pressão arterial, ensinar a população como aferir o pulso cardíaco, além de  desmistificar algumas falsas informações relacionadas  ao marcapasso e ao seu portador”. 

A ação também tem o objetivo de alertar a opinião pública sobre a necessidade de melhorar o acesso dos pacientes que precisam desses dispositivos, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que atualmente muitas pessoas morrem na fila de espera por um implante.                  

Ainda de acordo com Daniel: “devido à presença ativa no Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (Deca), Divinópolis foi contemplada a ser uma das sedes nacionais dessa campanha. O Complexo de Saúde São João de Deus foi escolhido por ser uma instituição precursora na estimulação cardíaca na região Centro-Oeste de Minas Gerais. No CSSJD, foi  realizado o primeiro implante de marcapasso da região, além de ser o hospital referência no atendimento ao SUS na cidade”. 

Arritmias Cardíacas 

Segundo o Deca, as arritmias são caracterizadas por batimentos lentificados, acelerados ou falhas nos batimentos cardíacos. Já a insuficiência cardíaca é a deficiência do coração em bombear o sangue, causando sintomas como falta de ar, cansaço, inchaços, internações hospitalares e aumento da mortalidade. Atualmente, 22 milhões de pacientes são portadores de insuficiência cardíaca no mundo. 

Números 

Segundo dados do Censo Mundial de Marcapasso e Desfibriladores, o Brasil perde nesses procedimentos para países vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile. Por aqui, são implantados 199 dispositivos por milhão de habitantes, enquanto no Chile são 216, na Argentina, 382, no Uruguai, 578 e em Porto Rico, 606 marcapassos por milhão de habitantes. 

Em países desenvolvidos, esses números são ainda mais expressivos: 746 na Espanha, 762 em Portugal e 1.126 marca-passos por milhão de habitantes nos Estados Unidos. Na França são 1.019, na Itália, 1.048 e na Alemanha, 1.267. 

Em nosso país existe também uma grande subnotificação de pacientes portadores de insuficiência cardíaca, que possuem alterações graves, mas sem identificação. Ainda assim, o país lidera o número de mortes por insuficiência cardíaca no mundo, que representa uma em cada três internações no sistema de saúde. São 100 mil novos casos a cada ano e 12,5% dos internados por causa da doença morrem no hospital.

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