Abuso psicológico

“Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso.” (Edmund Burke)

Em termos de relações humanas, o conceito de abuso aplica-se a qualquer ação humana em que exista uma precondição de desnível de poder, seja ele em relação a objetos, seres, legislações, crenças ou valores. Entendendo-se poder como uma condição de possibilidade de ação, em função do desejo ou iniciativa consciente ou não. A contrapartida da liberdade absoluta de ação são os delimitadores que ocorrem na realidade. Estes delimitadores partem de diversas fontes, e a sua existência prescinde de uma consequência após a ação, em geral, negativa. Abuso psicológico, também conhecido como abuso emocional ou abuso mental, caracteriza-se quando uma pessoa submete ou expõe outra a um comportamento que pode resultar em traumas psicológicos, como ansiedade, depressão crônica ou transtorno de estresse pós-traumático. Esse tipo de abuso é frequentemente associado a situações de desequilíbrio de poder, tais como relações abusivas, bullying, assédio moral e abuso no local de trabalho.

Abuso é um termo que existe correlacionado e intimamente subordinado a questões valorativas, de um ponto de vista ético e moral, mas também científico (abuso de substâncias viciantes discretas, por exemplo). O abuso é semelhante à transgressão, na qual, da mesma forma, há uma restrição conhecida pelo atuante e, em geral, determinada coletivamente, também de ordem moral, científica, legislativa, cultural ou em qualquer nível público, que torna, o ato da transgressão, uma infração a uma lei qualquer. O abuso, contudo, pode vir associado à ideia de poder do abusador sobre o "objeto" abusado, que não pode ou não quer resistir e se contrapor ao abuso.

Crianças que passaram por abuso psicológico tendem a sofrer mais, os pesquisadores constataram que aqueles que passaram por esse tipo de experiência tendiam a sofrer de ansiedade, depressão, baixa autoestima, sintomas de estresse pós-traumático e a apresentar risco de suicídio em maior nível do que as que sofreram violência física ou sexual.

Entre os três tipos de agressão, a psicológica foi a mais fortemente associada com transtorno depressivo, distúrbio de ansiedade social e generalizada, dificuldade de formar vínculos afetivos e abuso de substâncias. Esse tipo de violência provoca danos emocionais tão graves quanto a agressão física e sexual juntas, alertam os pesquisadores.

O abuso emocional tem muitas definições, mas é mais bem caracterizado por padrões típicos de comportamento e dinâmica de relacionamento. O abuso emocional tende a girar em torno de um desequilíbrio de poder, em que pelo menos uma pessoa no relacionamento tenta exercer controle psicológico e às vezes físico sobre o outro. Mas o abuso emocional não envolve a agressão física em si. Curiosamente, este tipo de abuso nem sempre é consciente, óbvio, ou intencional, embora muitas vezes seja.

O abuso emocional no casamento e relacionamentos em geral pode ser caracterizado de duas maneiras. A forma mais agressiva de abuso emocional é evidente, e deixa a vítima com uma compreensão clara da experiência. Você sabe o que o agressor sente e diz sobre você, assim como as outras pessoas em sua vida.

A primeira tarefa é reconhecer a sua condição de vítima. Por favor, não caia na tentação de justificar os maus-tratos que você recebe. Toda pessoa abusada sente interiormente que, de uma forma ou de outra, o merece. Isso é mentira. Trata-se de uma reação inconsciente que se deve a conflitos consigo mesmo e com figuras de autoridade em seu passado.

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