Absurdo

Coluna Preto no Branco - "Absurdo"

Ao abordar o agente de trânsito no meio da rua e se dirigir a ele de forma arbitrária, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) errou feio, pois não era a forma nem o lugar. Por esse “descuido”,  e talvez por falta de orientação de gabinete e assessorias, deve responder judicialmente. No entanto, quando ele fala que odeia multa está coberto de razão. Afinal, quem gosta? Na maioria das vezes, não são os valores cobrados atualmente, exorbitantes, por sinal ‒ levando-se em conta o atual momento vivido e, principalmente, a condição financeira de boa parte de quem passa por esta situação. Afinal, ninguém anda com retrovisor quebrado, por exemplo, porque quer ou para ser multado. A dor de cabeça e a burocracia tiram tanto a pessoa do sério que a vontade, conforme muita gente, é deixar o carro para lá. Não é por acaso que os poucos pátios que a cidade possui andam cheios de veículos abandonados. 

Desgastante 

Vários fatores contribuem para a indignação de uma fila inteira que vai e volta da delegacia da Polícia Civil (PC), um dia inteiro ou até mais, dependendo do dia da apreensão e das condições estruturais da PC. O espaço para o atendimento – digo setor de questões ligadas ao trânsito – deixa muito a desejar. Não por má vontade dos servidores, fazem o que podem, mas há muito a Polícia Civil foi esquecida pelos governos do Estado, que nem sequer se preocupam em aumentar a quantidade de agentes. Com a pandemia, é impossível realizar um atendimento digno ao cidadão que sofre para arcar com tantos custos e se vê obrigado a ficar de fora do prédio em um sol de rachar. É uma vergonha a Delegacia Regional da principal cidade do Oeste de Minas não ter o mínimo necessário para um atendimento que faça jus ao que a cidade representa para a região e o Estado. Alguém precisa avisar isso ao chefe da PC no Estado e que chegue ao governador Romeu Zema (Novo) – se é que já não avisaram. Se sim, que ele não repita o grave erro das gestões anteriores com a cidade onde ele teve a segunda maior votação em Minas. 

Abusivos 

E não acabou. Quando finalmente se consegue o acesso à sala que trata das questões de apreensão de veículos, o primeiro baque. Próximo à porta estão afixados folhetos com os preços cobrados pelos pátios credenciados para o reboque e a diária, o que depende do veículo. De passeio R$ 219,96 o reboque, e diária R$ R$ 40. Duas rodas e três, um pouco mais em conta. Uma senhora revelou a este PB que todas as taxas pagas por ela – no caso, apreensão por trinca no parabrisa – somaram R$ 1,7 mil e que precisou somar seu pagamento com o do marido – que é aposentado, como ela, os dois com renda de um salário mínimo e pouco – para conseguir arcar com o valor. Ficou imensamente agradecida por ter conseguido, mesmo sabendo que o restante dos pagamentos não será suficiente nem para a alimentação. É aí que a conta não fecha e coloca o pobre cada vez mais pobre. Ninguém quer se eximir de arcar com suas responsabilidades, mas precisa ser tão cruel com quem tem menos? Mesmo sabendo que são essas pessoas – maioria no país –  as responsáveis por sustentar os governos, os legislativos e bancar a mordomia de boa parte de seus integrantes. É por isso que muitos que estão irregulares por alguma situação, ao verem uma viatura da polícia ou agentes de trânsito, “fogem igual capeta da cruz”. E depois, quando são pegos, os coitados ainda acabam presos. Sem comentários. 

 Tem mais 

Informações colhidas, documentos prontos. Acabou? Não. Depois disso, começa a saga para a assinatura do delegado de Trânsito. Costuma ser a parte mais demorada ultimamente. O agente faz um tour atrás dele e, muitas vezes, volta sem sucesso. Antes que alguém comece a acusá-lo, já digo que a culpa não é dele, muito pelo contrário. O atual é Marcelo Nunes Júnior, receptivo, atencioso e dá o seu melhor nas delegacias que comanda. No entanto, ele, como os demais servidores, está sobrecarregados ao extremo. Além da demanda gigantesca no Trânsito, está respondendo pela Homicídios e Corregedoria. Portanto, apesar de sua boa vontade e dedicação, ainda não aprendeu a fazer mágica. Se bem que, do jeito que está, só assim! Afinal, um “buraco” de mais de 20 mil agentes no Estado não dá para tapar da noite para o dia. 

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