Abandonados na UPA: pacientes têm alta, mas familiares não aparecem

Maria Tereza Oliveira

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA), desde que a nova gestão assumiu, deixou de ser alvo de críticas recorrentes. Superlotação e pacientes nos corredores não fazem mais parte da rotina da unidade. Mas, se, por um lado, a unidade otimizou atendimentos e transferências, por outro, um cenário tem chamado atenção. De acordo com denúncias ao Agora – confirmadas pela Prefeitura –, alguns pacientes, mesmo após receberem alta médica, não são buscados pelos parentes. Um deles aguarda há cerca de seis meses para voltar para casa, no entanto, sem alguém para buscá-lo, permanece nos corredores da unidade. Atualmente, duas pessoas estão nesta condição. De acordo com o Município, a situação é corriqueira, porém, mesmo após a alta, a UPA não coloca ninguém para fora.

Entrada ágil, saída nem tanto

Ao Agora, o Executivo revelou que é uma situação corriqueira haver pessoas “abandonadas” na unidade. Conforme a Prefeitura salientou, é mais comum que pessoas em situação de rua fiquem na unidade por mais tempo.

— A média de permanência de um paciente “comum” é de aproximadamente 72h. No entanto, em casos de pessoas sem familiares localizados, a média de permanência é um pouco maior: uma semana — comparou.

Conforme o Município explicou, no caso de pessoas em situação de rua, a assistência social é acionada.

— O paciente é cadastrado, a assistência faz a documentação da pessoa e busca localizar familiares. Em muitos casos, eles não os buscam — revelou.

No entanto, quando isso acontece, conforme explica a Prefeitura, o próprio paciente, na maioria das vezes, ao se recuperar no ponto de conseguir sair, prefere ir embora da UPA por conta própria.

Além da situação de abandono, esses pacientes que não são buscados acabam gerando mais despesas para a unidade.

Seis meses de esquecimento

Um dos casos que mais chama atenção é de um homem com idade aproximada de 40 anos, que aguarda na UPA há seis meses. O paciente tem limitações físicas e mentais, pois sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O Executivo explica que a Assistência Social conseguiu localizar a filha – que é menor de idade – e a ex-esposa do paciente.

— Porém, a ex-companheira não quis assumir a responsabilidade de levá-lo para casa, portanto o homem permanece na unidade — explicou.

Conforme a Prefeitura, o paciente não tem idade suficiente para ser transferido a um asilo e não tem renda para pagar uma clínica particular.

— A Secretaria de Ação Social então entrou com ação na Justiça para conseguir Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o paciente. Em todos os casos de permanência após alta na UPA é buscada assistência social, que tenta localizar família. A unidade nunca coloca nenhum paciente para fora — salientou.

Outro homem, com idade aproximada de 52 anos, também está há quase um mês à espera de algum familiar. Neste caso, ele tem família completa, mora em um bairro próximo ao Centro da cidade, mas ninguém quis buscá-lo até hoje.

Otimização do atendimento

Desde que o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS) assumiu a gestão da UPA, o local passou por uma mudança no atendimento. Logo no balanço dos primeiros 45 dias de administração, notou uma redução no número de pacientes que aguardam por internação.

O tempo de permanência na unidade também foi reduzido. De acordo com a Prefeitura, atualmente cada paciente fica em média menos de 72h na UPA antes de ser transferido ou receber alta. Na antiga gestão, essa média era de oito dias.

A mudança, de acordo com o IBDS, ocorreu porque cada pessoa está recebendo os devidos encaminhamentos, como alta ou transferência para outros hospitais, de maneira mais ágil, dentro de um prazo de até 72h, para evitar a superlotação da unidade.

A UPA atende cerca de 370 pessoas diariamente. Cada paciente espera entre 15 e 45 minutos para ser avaliado.

Em contrapartida, quem fica internado e é esquecido por parentes, ocupa lugar de outro paciente que precisa de internação.

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