A toque de caixa

Laiz Soares

“Política não é para amadores, a gestão atual em Divinópolis está parecendo aquelas partidas de futebol de final de semana, um junta-junta e vamos ali jogar uma pelada. Falta de preparo e seriedade com a VIDA. E este Legislativo passivo… Absurdo.” Essa frase não é minha, é de um cidadão divinopolitano que me acompanha. Lúcido, atento, inteligente, com senso crítico. Será que ele está sozinho nessa avaliação? 

Toda a Câmara deveria estar unida priorizando o bom andamento da vacinação, sua organização e sua celeridade. Fiscalizar buraco e rua suja é fácil. Da bem mais trabalho fiscalizar a falta de planejamento e de gestão, a incapacidade de execução eficiente, a falta de transparência, a capacidade de resposta efetiva do governo às demandas mais complexas do que uma simples capina. 

Questionamentos sobre o plano de vacinação sem resposta. Profissionais de saúde pedindo informações e sendo ignorados nas redes sociais oficiais da Prefeitura. Basta ir à página oficial da Prefeitura no Instagram para ver as pessoas reclamando e implorando respostas sem sucesso. Pouca informação, poucos posts, informação confusa, dúvidas no ar. Gente dizendo que em outros municípios a Prefeitura divulgou a ordem e o plano de imunização detalhado, por aqui, só sabemos o número de vacinados.

Acabaram de chegar mais de 300 mil doses para Minas. Quantas doses ainda temos? Quantas novas estão chegando? Faltam quantos profissionais de saúde para serem vacinados para começarmos a vacinar os idosos que não estão nas instituições de abrigo? A vacinação está lenta, parece que agora é que estão montando equipes extras para começar a vacinação nos fins de semana. A vacinação é urgente, tínhamos que ter metas de produtividade por dia. Está havendo um cadastro dos idosos para organizar a aplicação da vacina deles? Eu fico imaginando se, por um milagre, chegasse de uma vez um alto número de doses, tipo umas 50 mil. A cidade não está preparada para um mutirão de vacinação rápido e eficaz em grande escala.

Sobre a transparência e a participação popular, já marquei várias vezes a Prefeitura com questionamentos importantes e sempre fui ignorada. Só leem e respondem se for elogio? Eu já reparei, inclusive, que a frequência e quantidade de postagens nos perfis pessoais do prefeito e vice são infinitamente maiores do que os conteúdos disponibilizados na página da Prefeitura. Isso mostra o quanto são personalistas e que não entenderam e não valorizam a importância e institucionalidade do cargo. 

Assessores estão sendo pagos com salário da Prefeitura para ficar filmando e editando vídeos para as redes sociais dos políticos que estão lá o tempo todo se promovendo (legítimo e necessário mostrar o trabalho feito, mas nas redes oficiais – para as redes particulares, até onde eu sei, não poderia ser feito com dinheiro público). O foco da comunicação intensiva deveria ser institucional, para as redes da prefeitura. Nós, população de Divinópolis, queremos ser atendidos e respondidos nos canais oficiais da Prefeitura. A instituição tem que funcionar. Há má vontade e baixo compromisso com a informação e com uma comunicação efetiva e participativa que seja séria, transparente, efetiva e institucional.

Para além disso, preciso mencionar a percepção da gestão a toque de caixa e as inúmeras reclamações que venho recebendo de servidores que estão apavorados com o espírito de estrelismo autoritário e a gestão bagunçada do novo governo. A minha percepção se formou de acordo com os relatos que venho recebendo de quem está lá. Muitos servidores me contam e pedem confidencialidade por medo de retaliação. Outro exemplo da gestão “a toque de caixa”:  a liderança escolhida para comandar a Secretaria de Cultura da cidade em um momento tão crítico para os profissionais da área foi trocada simplesmente três vezes em menos de um mês. Uma rotatividade dessa logo no início para uma posição megaestratégica não é nada razoável. Neste momento, infelizmente, tudo aponta para a consolidação do reinado do amadorismo e do toca-toca na gestão. Tomara que isso mude, o momento é crítico e pede seriedade e profissionalismo. Que Deus nos ajude, a Cidade do Divino precisa e agradece.

 

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