A saúde mental dos médicos e o impacto em demandas judiciais

A SAÚDE MENTAL DOS 

MÉDICOS  E O IMPACTO EM

 DEMANDAS JUDICIAIS

A medicina no Brasil é caracterizada por longas jornadas de trabalho, o que demanda muito do profissional médico, tanto psicologicamente quanto fisicamente ‒ além de longas jornadas de estudo, especializações e de atualizações, que devem ser realizadas continuamente mesmo depois de formados.

Em conversas com alguns profissionais da saúde, nota-se que situações no ambiente de trabalho despertam vários sentimentos diante dos casos concretos, dentre eles compaixão, amor, culpa, ansiedade, piedade etc. É impossível os médicos não se envolverem com seus pacientes e familiares no dia a dia durante o acompanhamento dos quadros clínicos.

No ambiente hospitalar, os profissionais da saúde são obrigados a lidar com várias pressões, sejam elas de seus superiores ou mesmo da família que acompanha o paciente. A responsabilidade do profissional médico é muito grande, pois ele atua com a vida de cada paciente, que tem valor imensurável.

A pressão vivenciada diariamente pelos profissionais da saúde, principalmente em hospitais, tem um impacto negativo em sua saúde mental. Exemplos disso são as longas jornadas de trabalho, noites maldormidas, trabalho em condições insalubres, nas quais muitas das vezes não se têm equipamentos de proteção individual eficazes e ainda o fato da superlotação em hospitais, o que faz com que estes profissionais tenham que atender os pacientes de forma rápida.

O profissional que passa por dificuldades, sejam elas físicas ou mentais, em determinado momento de sua vida profissional deve ser acompanhado de forma especial pelas entidades públicas, empresas e colegas de trabalho para que isso não acarrete elevado número de judicialização na área da saúde em decorrência da fragilidade dos profissionais pela sobrecarga.

É imprescindível uma atenção maior com os profissionais da saúde, pois as condenações judiciais têm sido arbitradas em valores absurdos e, infelizmente, elas têm crescido cada dia mais. É preciso atentar também para o fato de que, além do processo judicial, o profissional poderá responder de forma administrativa, em seu conselho de classe. O desgaste de um processo é muito grande, apesar de os tribunais analisarem a responsabilidade do profissional de forma individualizada.

Os Conselhos Federais e Estaduais de Medicina têm realizado pesquisas com seus associados de forma a apurar a realidade médica, sendo de suma importância para ajudar a apurar os problemas e, consequentemente, traçar medidas preventivas.

Nesse caminho é necessário denunciar os ambientes inadequados ao trabalho, dentre estes: a falta de medicamentos e a de materiais para segurança pessoal, o desgaste emocional e a carga horária elevada de trabalho.

Por todo o exposto, torna-se necessária a criação de leis específicas que auxiliem os profissionais da área da saúde e da área jurídica a proteger e fiscalizar os ambientes laborais de forma a amenizar os impactos na saúde.

Nayara Carneiro Rocha – Advogada. E-mail:  rochaecampos@yahoo.com

 

 

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