A quem interessa?

A quem interessa? 

Mais uma vez, o coração do divinopolitano se encheu de esperanças, mas pelo andar da carruagem ele se esvaziará em breve. A Prefeitura de Divinópolis anunciou, no fim de março, a possível transformação de parte do Hospital Público Regional Divino Espírito Santo em um hospital de campanha, com leitos exclusivos para pacientes com covid-19. Segundo o Município, a expectativa era de que fossem abertos 60 leitos, sendo 40 de enfermaria e 20 de UTI. Logo após anunciar a possibilidade de abertura do Regional – que já está 80% concluído – o Executivo informou que o responsável pela administração do hospital de campanha seria o CIS-URG Oeste. Por sua vez, sua diretoria anunciou na última semana que já havia enviado toda documentação para a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e aguardava apenas o Governo do Estado para firmar o convênio, iniciar as obras de adequação, e colocar o hospital para funcionar em 30 dias. 

Tudo isso foi anunciado no fim do mês passado, e até então a última atualização sobre o assunto foi no dia 5 de abril, quando o secretário municipal de Saúde, Alan Rodrigo disse em uma coletiva de imprensa que o convênio entre o Executivo Estadual e o CIS-URG Oeste seria assinado na tarde daquele mesmo dia, e as obras começariam na terça-feira,6. Na quarta, 7, o Consórcio emitiu nota informando que ainda aguardava o Governo do Estado. Diante deste cenário, a única sensação que se tem é que há apenas um interessado nesta abertura: o prefeito Gleidson Azevedo (PSC). Afinal, “para um bom entendedor meia atitude basta”. O irmão do prefeito, o deputado estadual Cleitinho Azevedo (CDN), publicou em suas redes sociais um “Painel da Verdade Histórica”, contando a “suposta” história do Hospital Público. 

A postagem do parlamentar, diz que o ex-prefeito de Divinópolis, Vladimir Azevedo teria tido 2.488 dias de mandato para concluir o hospital e entregá-lo funcionando, mas não o fez; ainda de acordo com a publicação, Galileu Machado (MDB) teria tido 1.461 dias de mandato para concluir a obra, mas também não entregou à população; e Gleidson teria, em 82 dias de gestão, concluído o hospital. A cada entrevista, dizendo que o Regional fica pronto daqui a 20 dias – e nada de convênio  assinado – o secretário de Saúde mostra apenas que há só uma parte necessitada, e sem sombra de dúvidas não é a população. Não é de hoje que o Agora aborda esta situação: a quem interessa concluir o hospital? Ao Governo do Estado, um ano antes das eleições? Ao prefeito, logo após ser eleito? A quem interessa colocar um fim neste “palanque de votos”? 

Mais uma vez, ao que tudo indica, o povo vai sentar e esperar, e ver que tudo não passou de um “sonho de verão”. Por mais que tudo isso doa, é a mais pura verdade. Com o cenário epidemiológico cada dia pior, já era para o Executivo Estadual estar com esse Hospital Público pronto desde o fim do ano passado. Mas, parece que a escolha não é única e exclusivamente: salvar vidas. Até quando?

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