A mesma língua

A mesma língua

Enfim, o Brasil dá alguns passos rumo ao enfrentamento efetivo da Covid-19. Governadores, prefeitos e Ministério da Saúde ‒ ainda bem que a tempo ‒ começam a falar a mesma língua. Passo importantíssimo para controlar o avanço do coronavírus no Brasil. Até as 13h50 de ontem, o Brasil tinha 5.933 casos confirmados e 206 mortes pela Covid-19, sendo que a maioria dos óbitos foi registrada no Rio de Janeiro e São Paulo. Um jovem de 23 anos morreu na última terça-feira, 31, em decorrência do coronavírus, no Rio Grande do Norte, se tornando a vítima mais jovem no Brasil. E é justamente para evitar que mais famílias tenham que se despedir de entes queridos, que pais enterrem filhos na “flor da idade”, que filhos enterrem seus pais de maneira abrupta, que os responsáveis pela população ‒ que paga um absurdo para isso ‒ têm a obrigação de falar a mesma língua. É para evitar que mais pessoas se despeçam de seus familiares e amigos desta forma, que os governantes de todas as esferas precisam trabalhar em conjunto. É por isso que, neste momento, o bem comum deve ser maior que os interesses pessoais dos políticos. 

Apesar de uma luz começar a se acender no fim do túnel, o amanhã ainda é incerto para os brasileiros e para o mundo. Ainda não é possível prever um cenário de mortes, de pessoas infectadas, curadas e de recuperação da economia. A única certeza que se tem, neste momento, a única luz no fim do túnel, a única opção que o povo tem é se manter isolado. Dói não poder ir e vir. Não poder tocar o seu negócio, não ver o seu familiar querido, não ver os pais, não ver os filhos, não ver os amigos, não comemorar o aniversário. Dói muito sentar-se à mesa com contas para pagar, sem ter certeza do amanhã.  Porém, dias no leito de um hospital, no CTI, ou uma perda precoce devem doer muito mais. Por isso, neste momento, diante das incertezas, a única escolha que o povo tem é se manter distante. Esta foi a fórmula usada pela China, foi assim que o vírus foi combatido lá. Foi se mantendo distante que os chineses libertaram seu povo. 

Foi justamente negando a existência do coronavírus, ignorando os alertas de médicos e minimizando os efeitos da doença que os governantes da China conseguiram causar este caos que atinge o mundo inteiro hoje. Foi apenas quando os chefes daquela nação encararam a verdade, as causas e os efeitos da Covid-19, que conseguiram combatê-lo. É isso que o Brasil precisa. Todos unidos em uma só causa: evitar a propagação do coronavírus. Quanto mais distante, quanto mais isolado o povo permanecer agora, mais cedo tudo voltará ao normal. Neste momento, a única saída para os políticos brasileiros é focar em preservar vidas, pois mortos não recuperam seus negócios e não ajudam a economia a crescer. Tudo vai voltar ao normal, mas é preciso de ações assertivas, que os egos sejam deixados de lado e que todos estejam unidos com um só propósito: o bem comum, a preservação da vida. Só assim, com um passo de cada um rumo à luz do fim do túnel, o Brasil conseguirá vencer esta guerra invisível. Vamos todos falando a mesma língua. 

 

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