A máscara

Instagram, Facebook e afins. As redes sociais, de uma forma geral, viraram lugar de ser feliz e se mostrar apenas uma face. Não aquela que a pessoa é, mas aquela que ela gostaria de ser e que faz de tudo para parecer diante de todos. Os políticos que o digam, pois as redes sociais viraram também lugar para testar suas aprovações diante da sociedade. Assistimos, na semana passada, um espetáculo interessante, que resume bem isso. Aquele famoso “vai que cola”! “Se der certo, sou eu quem votei e, se der ruim ‒ no ditado popular usado hoje pelos jovens ‒, foi fulano ou ciclano, ou não foi bem isso que eu entendi.” Ou pior, será que os representantes do povo não aprenderam a ler? Não sei qual dessas hipóteses é pior: acreditar que são essas as pessoas que têm duas faces, que dependem do seu humor, ou seus assessores tomarem decisões equivocadas em momentos tão importantes que podem mudar a vida de milhares de pessoas. As máscaras usadas na internet vieram a calhar para os caras de paus e o óleo de peroba “mandou lembranças”. Caso o queiram, não saia como o esperado, se não bater os recordes de likes, simplesmente desistem da sua palavra que foi dada, não mudam de roupa para trocar de opinião. Colocam uma nova máscara e, doa a quem doer, correm atrás do prejuízo das curtidas e, se preciso for, passam até mesmo por leigos e desinformados, simplesmente para manter a máscara que melhor lhe convier, diante de seus seguidores. O perdão também tem sido muito usado como máscara, para resolver os graves erros cometidos. Aliás, todos os mascarados não medem esforços para inventar meios de se pedir desculpas, até cartas ‒ estilo moda antiga ‒ têm sido usadas como forma de desculpas . Vale tudo? Não há dúvida. Só não vale ficar sem as famosas curtidas, sob o risco de enlouquecer, só de pensar que podem perder algum seguidor. São tantas máscaras usadas que montam um circo, colocando a sociedade como palhaça e mandam ver, pois não medem as consequências de suas atitudes. Pior ainda é não terem noção do que estão fazendo, passam longe de entender o que falam. Na realidade, são totalmente desguarnecidos de embasamento jurídico e conhecimentos gerais os chamados “sem noção”. Será que alguma vez na vida já abriram a Constituição Federal? Sabem o que ela significa ou representa? Trazendo para a nossa realidade, o Regimento Interno da Câmara? Pelas atrocidades e equívocos que vêm sendo cometidos por boa parte dos atuais vereadores, é bem provável que não.

Mas, vamos às máscaras, pois elas têm deixado os ditos representantes fortes, valentes, donos da verdade, uns verdadeiros "Narcisos" que se olham e se admiram. Pena que essa admiração não seja aquela que a população tanto precisa e conclama para uma revolução, na qual não se dê um pulo para o futuro. Para que se tenha orgulho e que não sejam necessárias tantas máscaras, que apenas a palavra e o “fio do bigode” voltem ter o devido valor. O que falta, na verdade, e não é de hoje, são pessoas que lutem de fato pelos interesses de toda a nação, que pensem na eficiência de uma educação segura para as crianças e que não aproveitem de tudo e de todos sem dó e nem piedade, transformando os seus desejos e anseios em prioridades, fazendo um circo onde o ingresso se paga com a vida. Assim se resume com a grande frase de Aristóteles: “Nosso caráter é resultado da nossa conduta”. Que a reflexão seja o ponto de partida de uma grande mudança, para que os palhaços não apenas assistam aos shows, mas que eles simplesmente sejam os protagonistas e deem um show, mas de sabedoria, na hora de votar.

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