A luz

Editorial - A luz 

Esta semana, sem sombra de dúvidas, é histórica para Divinópolis. As aulas das redes estadual e municipal voltaram de forma presencial. Depois de quase um ano e meio sem entrarem em uma sala de aula, os alunos, enfim, puderam pegar seus livros e cadernos, e começar a voltar para a rotina que os pertencia até março do ano passado. As fotos nas redes sociais mostram o brilho no olhar, mesmo em meio ao novo, à adaptação; o anseio por aquilo que lhes foi tomado abruptamente. Ao que tudo indica, o retorno está organizado e superando até mesmo as expectativas dos mais pessimistas: os estudantes a todo tempo de máscara, a troca da máscara, as filas, o lanche, tudo dentro do “novo normal”. 

A volta às aulas nos traz a mesma sensação da primeira vacina contra a covid-19 aplicada em janeiro deste ano. O retorno traz luz para os dias escuros que enfrentamos desde março do ano de 2020. E, mesmo em meio à esperança de volta ao “novo normal”, uma greve sanitária indicada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) ameaça acabar com tudo isso. O sindicato alega que a rede estadual de ensino não apresenta segurança para o retorno presencial das aulas, e que o Estado não garantiu a imunização completa com a segunda dose na categoria, além de que as crianças e adolescentes sequer têm um cronograma de vacinação.

As alegações da categoria são válidas e devem, sim, ser ouvidas pela Secretaria de Estado de Educação (SEE). A classe, já desvalorizada e que se desdobrou para que crianças e adolescentes continuassem a ter acesso à educação, mesmo diante do caos trazido pelo coronavírus, merece, sim, estar em segurança e ter o mínimo de salubridade em seus locais de trabalho. Alguns fazem o comparativo da rede pública com a privada de ensino, que retornou às aulas presenciais há um tempo e segue sem surtos da doença, tanto entre alunos quanto em professores. Neste momento, somente aqueles que estão vivenciando a situação podem dizer se é seguro ou não, se estão em condições de trabalhar ou não. Esse direito não é dado a ninguém além de quem está lá, nas salas de aula. 

Do lado de cá, o desejo é que tudo transcorra bem, dentro do esperado, e que os jovens não saiam dos lugares que nunca deveriam ter saído. Do lado de cá, o desejo é que todos sigam com saúde e bem. Afinal, nunca foi tão necessário que esses meninos e meninas estivessem dentro da sala de aula como agora. O retorno presencial às aulas trouxe luz, esperança, amor e a certeza de que o lugar de criança é na escola. Mas que professores, demais funcionários e alunos estejam em segurança, pois o contrário disso não será nada mais do que genocídio avistado. 

Pais, alunos, professores, o povo quer aula, porém, é bom frisar que tem que ser com segurança. E somente quem está lá dentro tem o poder de julgar se dá para continuar ou não. Do lado de cá, o desejo é que não somente as aulas, mas a vida vá voltando aos poucos ao seu normal. Que a humanidade reaprenda a viver da melhor maneira possível.

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