A gripe de 1918

Euler Vespúcio 

Passados 102 anos desde a gripe espanhola, o mundo é atingido com a pandemia do coronavírus. 

As condições sanitárias, médicas, de pesquisa são mais avançadas, mas ainda assim temos de progredir muito para estarmos preparados para novas pandemias.

No livro “A grande gripe: a história da gripe espanhola, a pandemia mais mortal de todos os tempos”, 1ª  edição, de 2020, o autor John M. Barry faz ampla descrição da gripe.

Na época, o mundo sofria os efeitos da 1ª guerra mundial e os países participantes do conflito evitavam publicizar sobre a gripe, temerosos de isso influenciar no ânimo das tropas. Assim, a primeira vítima da guerra foi a verdade.

Somente a Espanha, país neutro, noticiou sobre a gripe e, por isso, ela ficou conhecida como Gripe Espanhola.

Entretanto evidências “sugerem que um novo vírus influenza se originou no condado de Haskell, Kansas, no princípio de 1918(p. 104), nos EUA, onde o médico Miner alertou as autoridades de saúde pública nacional. Dali o vírus foi levado por jovens convocados para a guerra, onde ficavam amontoadas em acantonamentos lotados, aglomerados em volta dos fogões devido à falta de aquecimento. Essas tropas levaram o vírus para a Europa.

Houve perdas em algumas tropas americanas de mais homens para a gripe do que no conflito.

Os EUA concentravam esforços na 1ª Guerra Mundial e foram vedados textos contra o governo, os meios de comunicação não publicavam nada que pudesse abalar os ânimos, a imprensa omitia informações.

Por sua vez, os trens, com soldados, disseminavam o vírus para a população civil.

As autoridades tentaram minimizar os efeitos da gripe, mas o vírus se espalhou por diversos estados americanos. Nova York adotou restrições para controlar a gripe e, por exemplo, obrigou cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, com pena de cadeia e multa. O clima era de pânico e as pessoas voluntariamente se isolavam.

As medidas preventivas foram muitas, como uso de máscaras, isolamento, fechamento de locais públicos, vedação de aglomerações.

Faltaram recursos, como ambulâncias, lençol, camas, médicos, enfermeiros, caixões, coveiros etc.

Somente em setembro de 1918 as autoridades americanas emitiram alerta, com recomendação para evitar aglomerações, proteger-se quando tossir ou espirrar, respirar pelo nariz, lavar as mãos etc.

A gripe se espalhou pelo mundo e os registros mais tenebrosos ocorreram em locais mais isolados, como no Alasca, onde foram encontrados pilhas de mortos.

O número de óbitos estimados é de 50 a 100 milhões, cerca de 5% da população.

O início do século XX é marcado por grandes descobertas nas ciências – estrutura e função do DNA, pneumococo, bacilo Influenza, penicilina etc. – e por ter equipes brilhantes de cientistas. Os EUA viveram uma revolução na medicina, liderada por William Welch (ensino, prática, pesquisa). Apesar de tudo isso, o vírus perdeu a sua letalidade, durou de 1918 a 1920 e desapareceu, sem a descoberta da cura.

 

eulervespucio@yahoo.com.br

Comentários
×