A grande virada

Amnysinho Rachid

E, com o tão esperado Réveillon, chegou aquilo de se preparar para a passagem do ano, onde, como e com quem. Aí se iniciam também as simpatias. Tem de tudo: de pular sete ondinhas até comer o que te contaram que dá sorte.

A cada dia que passa, mais acredito na esperança do brasileiro. Com quase dois meses de antecedência, o sujeito já começa a comprar a Mega-Sena da virada, e dali para frente é só sonhar como vai gastar o prêmio. A coisa é tão séria que tem “caboco” que pira quando nota que não ganhou. Existe aquele que só vai fazer alguma coisa diferente depois da virada, esperar só o restinho do ano para começar a batalhar a vida, isso faltando três meses.

Já aqui na terrinha a coisa funciona mais ou menos assim: a turma vai para os clubes, os restaurantes, a barragem, os sítios, as praias e há a invasão da poderosa praia dos Castelhanos. Se existe um lugar para o qual Divinópolis se muda no verão é esse litoral. Até nosso querido prefeito e os vereadores da cidade despacham direto de lá (brincadeira).

Mas, antigamente, a coisa era bem diferente. Quase ninguém saía da cidade. O Réveillon era famoso, aconteciam bailes com grandes bandas. Lembro-me que existia uma disputa entre o Estrela e o Divinópolis Clube, e quem saía ganhando era o povo.

Lembro que as turmas se encontravam para fazer o esquenta antes dos bailes. O da minha família quase sempre saía da casa da minha prima Glorinha, superanfitriã, que organizava o que seria uma coisa rápida em uma grande festa. Lembro-me também de todos muito bem vestidos: os homens de terno e gravata, e a mulherada com belos vestidos, horas de salão de beleza, todo mundo na maior estica.

Lembro que nestes bailes tínhamos a superstição de que tudo que acontecesse depois da meia-noite iria acontecer durante o ano todo. Por isso a quantidade de “bebum” durante o ano todo na nossa terrinha.

O tempo era outro. Como era tranquilo andar a pé nas madrugadas, na 1º de Junho, da rua Rio de Janeiro à São Paulo. Era uma loucura, um verdadeiro trança-trança de gente, uma turma indo para o clube e outra voltando para o Estrela. Loucura que, no meio do caminho, ainda existia o sambão, mas, de boa, todo mundo se respeitando e o melhor, sendo feliz.

Existiam coisas engraçadas. Quem não estava usando gravata era barrado, aí acontecia o melhor: quem entrava mandava com outro amigo o acessório. Lembro que sempre soube dar nó nas gravatas, então pegava rabo e ficava um tempão ajudando os colegas a colocá-las.

Os bailes de Réveillon sempre acabavam num delicioso carnaval. Recordo de um ano em que, com o dia clareando, a banda saiu tocando na rua e os foliões atrás, um incrível trenzinho da alegria.

E, como tudo naquela época não podia acabar, íamos para a Savassinha comer um sanduba, delícias da terrinha marcadas em nossas memórias.

E continuamos aqui na Tok Empreendimentos, rua Cristal, 120, Centro.   

 

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