A gosto do freguês

Editorial 

O ano é eleitoral e, como sempre, Divinópolis parece uma feira. Tem todo tipo de candidato, de discurso e de atitude. É vale-tudo escancarado sem nenhum pudor. Mas tudo mesmo: prometer o que não dá conta de fazer; deixar para fazer obras nos 45 minutos do segundo tempo; trocar farpas pessoalmente, na Câmara ou Prefeitura; utilizar palavras de baixo calão nas redes sociais e até jogar esgoto em patrimônio público; se utilizar de políticas públicas para se autopromover; prometer o céu, a lua, as estrelas, absolutamente tudo, afinal, o eleitorado não estuda política, muito menos os políticos, e a maioria acredita em tudo o que lê, vê e escuta. 

Basta falar o que esta maioria quer ouvir, jogar o povo contra a mídia, acusando-a de esquerdista e manipuladora, e pronto: eis a receita perfeita para o caos. O eleitorado não sabe qual é o papel do vereador, do prefeito, suas limitações, o que pode e o que não pode gastar, o que cada um pode fazer, o que é recurso próprio, o que é repasse, o que é emenda parlamentar. Não sabe também qual o papel de cada instância – governo federal, governo estadual, Prefeitura – quais as obrigações de cada uma delas. Quem deve ou não deve fazer isso ou aquilo. É triste, mas é real. Aqui o freguês não é muito exigente. Basta dizer que o produto é bom, e pronto, o caminho já está andado.  

No Brasil, o freguês desta feira livre, deste vale-tudo, não se preocupa muito com o que está “levando para casa”, ele se contenta apenas com a palavra do vendedor. E, quando o “vendedor” se aproveita disso, o culpado é ele, e não o freguês que não pesquisou, não procurou saber como aquilo tudo funcionava. Não é preciso ir muito longe para entender o porquê de Divinópolis estar nesta situação, de a cidade ter deixado lá atrás os seus anos de ouro, de nunca mais ter conseguido ser a 5ª melhor cidade para se viver. Aí é compreensível por que talvez esta seja a realidade do município por anos a fio, afinal, se tem feira, se tem vale-tudo, é porque tem freguês, tem gente comprando o produto. 

Ainda falta pouco mais de um mês para que as campanhas comecem de fato. A largada será dada definitivamente no dia 26 de setembro, e o único fato a ser constatado é que se coisa já está assim, na pré-campanha, imaginem quando o play for dado de verdade? Não há muito que se dizer, que se prever, pois a “Feira Política Divinópolis” está sendo montada, e com o que se tem hoje, não precisa ter imaginação fértil para saber o que a população terá disponível a partir do próximo mês. Pode-se ir um pouco mais longe, com esta “feira” que está sendo montada, e olha que nem é preciso ser vidente para se saber o que espera por Divinópolis nos próximos quatro anos. 

É como diz aquele velho ditado, “enquanto tiver cavalo, São Jorge não anda a pé”. Enquanto tiver freguês para este tipo de cliente, a “feira” será montada a cada dois anos. Até que o freguês mude, só resta torcer e rezar para que sobre ao menos uma um produto de qualidade nesta “feira”, que tem de tudo menos produtos à disposição. 



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