A essência da política

Aristides Salgado 

O homem é um ser gregário, vive em sociedade e cada vez mais nos aglomerados humanos em constante processo de urbanização. Hoje, esta realidade presente nas pequenas, médias e grandes cidades, devido à pandemia do novo coronavírus, tem mudado alguns comportamentos e os protocolos de saúde pública são primordiais. As redes sociais contêm atualmente a maior concentração de mensagens ‒ discussões, opiniões, conceitos ‒ em todo o mundo.

São utilizadas várias ferramentas e é inegável que os avanços trazem alguns benefícios à sociedade. Por outro lado, anotamos os malefícios que são muitos e que a Justiça e a polícia tentam controlar e punir. A vida continua, mas o “novo normal”, pelo que sabemos, vai continuar com a covid-19, podendo aparecer outros novos vírus, segundo os cientistas. Assim, estão previstas atualmente várias alterações em todos os eventos, como nas eleições municipais em plena pandemia. Nos anos passados ‒ 2016 e 2018 ‒ já eram utilizados vídeos e informações para beneficiar candidatos, na sua maioria, sem história, sem currículo, sem prestação de serviços que demonstrem algum comprometimento social ou moral com a comunidade onde vivem. Não devemos preconceituosamente rotular nenhum candidato, mas podemos e devemos, como eleitores numa democracia, debater e conhecer suas propostas e projetos, suas atividades passadas e presentes, enfim, conhecer o (a) candidato (a). Afinal, o que é a atividade política? Os ensinamentos vêm da Grécia Clássica, política vem de polis, conjunto de leis que regia a vida dos cidadãos que moravam dentro de um espaço definido ‒ urbe, cidade estado. Nos edifícios públicos havia um espaço, a Ágora, para os cidadãos se reunirem e discutirem projetos e ações políticas de interesse coletivo, uma espécie de audiência pública.

A essência da atividade política era (é) cuidar dos interesses do povo, do coletivo acima do individual. A política dignifica quem a exerce na sua essência, ainda que possa ter alguns desacertos. Dentro desta visão, exemplifico a DEMOCRACIA PARTICIPATIVA dos anos 80, em que fui protagonista exercendo o cargo de prefeito de Divinópolis. Após a promulgação da constituição de 88, o municipalismo tornou-se um movimento mais forte, mais evidente, independente de siglas partidárias.

Podemos citar várias propostas que fortaleceram o movimento municipalista, trazendo uma nova maneira de governar este país. A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA assumiu e incorporou propostas de práticas políticas que proporcionaram melhorias na qualidade de vida da população: gestão compartilhada, parceria bipolarizada, orçamento participativo, terceirizações, concursos públicos, conselhos municipais, associações de moradores (urbanas e rurais), ouvidorias, descentralização administrativa, desconcentração urbana e desenvolvimento integrado.

Esta maneira de governar (gestão local) refletiu até meados dos anos noventa, quando, em meu entendimento, as administrações locais em nosso município e em todo o país voltaram à “mesmice”. Atualmente, sinto que a população, “abafada” pela pandemia e brutal desigualdade social em nosso país, não fará as mesmas exigências sobre os políticos como nos anos 80/90. Redes sociais com discussões e reuniões on-line vazias, manifestações políticas de mudanças, nova política versus velha política. “Não ao passado de ciclos, vamos olhar o futuro”, como estou vendo, são frases soltas, destituídas de conteúdo. A meu ver, os candidatos falam sem apresentar nada, nenhuma proposta ou projeto (princípio, meio e fim).

Projeto não é uma ideia vaga, desconectada da realidade regional e nacional. Projeto para uma gestão pública deve ser norteado por metas a serem alcançadas, com tempos definidos nas áreas financeira/econômica, administrativa, saúde, educação, segurança, saneamento, lazer, esporte, cultura, infraestrutura e planejamento urbano. Nos últimos tempos muito se falou sobre intenções de várias obras, ações e serviços: Cidade Tecnológica, decreto legislativo contra cobranças de taxa de esgoto, revisão do IPTU, Usina de Asfalto, desmoronamento de muros (cemitério central), entre outros. Muita falação, nenhuma solução.

Alguns falam sobre novas tecnologias, sem fontes de financiamento. O mais grave é que, até agora, não apareceu ninguém com responsabilidade para abordar estes temas.

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