A dengue de novo

O ano é novo, mas a população vai enfrentar mais uma vez um velho problema, causado por ela mesma: a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Entra ano, sai ano, acaba século, começa século e a população brasileira simplesmente não evolui. Algo tão simples, que poderia ser evitado com cuidados simples do dia-a-dia, continuam ceifando vidas e levando outras milhares de pessoas aos hospitais. E tudo isso por falta de educação e cuidado. O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) feito pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) de Divinópolis apontou alto risco para epidemia de dengue na cidade.

Esta informação não é novidade. Não é algo que deva chocar a quem lê este texto, pois a cada verão de chuva e muito calor, a situação é a mesma. Mesmo sabendo dos perigos, a população simplesmente não consegue limpar o seu quintal, não consegue tampar a sua caixa d’água, colocar areia no vasilhame da planta que tem em casa, ou virar as garrafas de cabeça para baixo. A população simplesmente não consegue adotar hábitos que possam eliminar o Aedes aegypti. Muito pelo contrário, cria condições para a proliferação do inseto.

O mais interessante nisto tudo, é que os mesmos que criam tais condições para o  aumento do transmissor da dengue, zika e chikungunya, são os mesmos que reclamam da suposta falta de ação do poder público. Esses mesmos que estão com os quintais lotados de criadouros são os mesmos que não conseguem enxergar que uma epidemia de dengue não é responsabilidade da Prefeitura, e sim da população, que continua acomodada, desleixada e sem educação. A dengue é um problema antigo em Divinópolis. Em 2016, o município enfrentou sua pior epidemia da história, e adivinhem onde estavam os focos do mosquito? Nas residências.

De acordo com o LIRAa feito pela Semusa, 90% dos focos encontrados estavam nas casas, e 10% nos lotes vagos. Tudo indica que a cidade mais uma vez vai enfrentar um surto da doença. E desta vez, a culpa não vai ser de Galileu Machado. Afinal, este é um dos poucos problemas que não é causado pelo poder público, que só assume o papel de coadjuvante. Não existe campanha de conscientização que faça o povo manter seu quintal limpo, não jogar lixo nos lotes vagos, não deixar pneus com água, cuidar dos vasos das plantas, etc...etc. Não tem número de mortes suficientes que sensibilize a população. Pelo contrário, quanto mais mortes, quanto mais conscientização, mais o povo cria condições para o Aedes aegypti.

O mais triste é que não é o mosquito que mata, ou adoece as pessoas. É a falta de compromisso e amor com si mesmo e ao próximo. É aquele velho pensamento “não vai acontecer comigo”, que mata, e leva milhares de pessoas aos hospitais nesta época do ano, com a mesma doença. O povo quer mudança, mas não quer mudar. Quer evolução, mas não quer evoluir. O povo quer fumacê, mas não quer limpar o quintal. Quer cobrar, mas não quer fazer. Essa “matemática” usada pelas gerações anteriores, e por esta atual, simplesmente não fecha a conta, e só faz com que o povo ande em círculos. A cidade está diante do caos, mas é sentada na frente do computador, fazendo textão revoltado com a política, escrevendo bobagens e postando fotos falsas que a população quer eliminar a dengue. Vai que dá!

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