A dança em minha vida

Sempre gostei de dançar. Quem me conhece sabe disso. Tenho “pés de valsa” e sou uma eterna apaixonada por música. Meu pai é seresteiro, minha mãe canta muito bem e fui criada em um ambiente de música e dança.

Um dia percebi que minha resistência para a dança havia diminuído. Depois de um joelho operado e de uma coluna que vive “empenada”, fica mesmo difícil manter a resistência. Mas não é só isso. O tempo muda a nossa velocidade. Não dá para ser a mesma pessoa de dez anos atrás.

E uma das formas de perceber que mudamos, é pela velocidade. O ponteiro baixa. Aquelas coisas simples que até ontem fazíamos “com o pé nas costas”, hoje precisam ser programadas e calculadas. Você passa a gostar mais da sua casa do que de qualquer outro lugar. Ainda viajo muito, ainda consigo arrumar a minha mala em 15 minutos e ainda sou disposta a encontrar com os meus amigos sempre que me chamam. Mas isso porque me programei para tal. E principalmente porque são coisas que me dão prazer. Se até a louça que eu gastava 5 minutos para lavar, hoje não consigo mais fazer no mesmo tempo, imagina dançar a noite inteira?

Danço ainda e com a mesma alegria. Porém dentro dos meus limites. Não estou competindo com ninguém na corrida para dar conta de tudo. Sendo assim, que importância tem esse tempo, se o que eu preciso mesmo é de direção? A maturidade mudou minha velocidade mas, em contrapartida, me deu direção. Se antes eu batia de um lado para o outro entre tentativas e erros, tentando chegar a algum lugar que nem eu sabia direito, hoje a minha direção é muito clara, explícita para mim. Hoje sei perfeitamente meus limites, minhas imperfeições e minhas capacidades. Hoje sei diferenciar quem me ama de verdade de quem quer apenas alguma coisa de mim. Hoje sei onde me cabe e onde tentam me encaixar. E perceber essas sutis diferenças faz de mim uma pessoa mais prática, mais resolvida para o sim e para o não. Hoje consigo olhar ao meu redor, consigo enxergar as pessoas e os fatos muito além do momento, e, assim,  basear minhas decisões com muito mais segurança e tranquilidade. Aprendi a dançar conforme a música. Aprendi a respeitar os ritmos diferentes dos meus e posso dizer que aprendi a apreciar a melodia, sem, necessariamente, dançar. Não danço mais a noite inteira, mas sei até onde a dança pode me levar. Que venham as melodias!

leila.palavras@gmail.com 

 

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