A culpa é de quem?

Editorial 

De quem é a culpa? Tanto faz. E a resposta para qualquer uma das perguntas será a mesma. Só não pode considerar a mesma coisa e normal Divinópolis avançar de forma negativa nos números do novo coronavírus. A cidade atingiu nesta quarta-feira a marca de 41 mortes causadas pela covid-19, duas delas confirmadas ontem. A notícia não soa nada bem aos ouvidos e gera preocupação. O inimigo invisível faz mais vítimas a cada dia. É impossível ver tais números e não sentir medo ou tristeza. Afinal, 41 pessoas saíram de casa um dia e não voltaram mais. A mesma quantidade famílias não tem mais seus entes queridos, não escutam mais os seus risos, suas conversas, seus planos, seus sonhos. E por mais difícil que seja essa triste realidade, está muito longe de acabar. Fato é que mais famílias serão marcadas da pior forma pelo coronavírus, mais vidas serão levadas por ele. 

Os mais radicais tentam achar os culpados. Justificam o comércio aberto, os bares, as academias, mas esquecem-se de que os maiores responsáveis por esta tragédia são os seres humanos. Sim! Não há outro para se culpar por esta tragédia sem precedentes. Em março, as autoridades fecharam tudo, deixaram apenas os serviços essenciais, na esperança de controlar a pandemia, não superlotar os hospitais e evitar que mortes acontecessem em grande escala. Tudo ia até bem, mas a pandemia foi politizada. Virou uma briga entre políticos, sem contar as notícias falsas, que assombram o Brasil desde 2018. Virou um cabo de guerra. A pressão foi tanta que não houve outra saída senão abrir tudo. Regras foram criadas em uma tentativa de possibilitar que tudo voltasse à “normalidade”. Tudo em vão. O brasileiro não tem maturidade para seguir regras e para enfrentar situações adversas. 

Primeiro a população politizou a pandemia, e depois não conseguiu seguir regras básicas de lavar as mãos, usar máscara, álcool em gel, não aglomerar, não fazer festinhas em casa e seguir o fluxo: casa/trabalho, trabalho/casa. Enquanto milhares de pessoas lutavam por suas vidas em hospitais, alguns até se atreveram a dizer: “o vírus que lute”. E, no fim disso, só uma coisa a se constatar: os responsáveis por esta tragédia são os brasileiros. Afinal, bar, academia, lojas abertas não significam: “Venha e desrespeite todas as regras”. Por mais que seja necessário trabalhar, ainda é possível diminuir o contágio, ainda é possível cada um fazer a sua parte. Mas, apesar de as regras serem claras e simples, muitos ainda não conseguem segui-las. E a culpa total não é dos proprietários dos estabelecimentos. É de quem prefere simplesmente fechar os olhos para tudo o que está acontecendo ao seu redor e frequentar, como se tudo estivesse “normal”. 

E é justamente por este comportamento egoísta que muitos adotaram que talvez o novo normal demore a acontecer, pois é o que dizem por aí: abrir shopping, lojas, academias e bares não é voltar ao normal, voltar ao normal vai ser quando as pessoas pararem de morrer pela covid-19. Talvez só por isso, por este comportamento, Divinópolis esteja caminhando direto para o retrocesso, cada vez mais distante do chamado “normal”.

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