A cidade que se reinventa

O divinopolitano com o passar do tempo, aprendeu como viver nesta terra em meio a todas as dificuldades possíveis. São cíclicas as crises no país, e Divinópolis por ter uma característica parecida com Sete Lagoas, onde o gusa sempre foi uma grande fonte de renda interna e de vendas externas, quando aparece um vacilo na economia mundial, o reflexo cai como um raio bem no centro do que tem de melhor.

Em compensação, e aí está o valor deste povo sofrido e acostumado a uma vida difícil, sempre uma saída foi encontrada. No início, logo quando a cidade começou a tomar forma veio a “estrada de ferro”, na época chamada de Rede Mineira de Viação, a famosa RMV, que foi inaugurada em 1931 quando era prefeito Pedro X Gontijo, nomeado pelo interventor no estado, Olegário Maciel.

Foi o passo largo que a cidade ganhou rumo ao grande desenvolvimento que vinha a seguir. A RMV vinha de Belo Horizonte e aqui ganhava dois ramais: um com destino a Lavras que se arrastava até o Rio de Janeiro levando minério para o Porto de Angra dos Reis, e outro que passava por Arcos e seguia para a capital de São Paulo com entroncamento para o porto de Santos. Uma estrada de grande envergadura, que escoava o minério, a então grande riqueza dos mineiros.

Gontijo não perdeu tempo, tinha autoridade e moral junto ao governador, com quem conversava sem marcar audiência. O parque industrial montado pela RMV, com fábrica de vagões e as famosas locomotivas apelidadas de “maria fumaça”, gerou uma grande quantidade de empregos. Como vieram profissionais de várias cidades um bairro foi criado, com casas feitas pela companhia dentro de um mesmo padrão. Eis aí o surgimento do simpático bairro Esplanada, que ganhou também uma escola que formava técnicos para a reposição dos seus profissionais.

Outras pessoas vieram nesta mesma época e a cidade conheceu Jovelino Rabelo, um homem inteligente, corajoso e empreendedor de primeira qualidade. Através dele, a cidade deu um pulo de grandeza com o surgimento dos auto fornos e com fundação da primeira aciaria de Divinópolis: Companhia Siderúrgica Pains, hoje Gerdau. Rabelo foi prefeito 17 anos depois da posse de X. Gontijo.

Tudo corria às mil maravilhas até que as crises do ferro gusa foram se avolumando, a RMV acabou sendo privatizada e a cidade se reinventou com o surgimento da indústria da confecção. Fraca no agro negócio, com um território muito pequeno, a cidade cresceu espremida e forte, sempre mudando a cada crise. Nos momentos difíceis como os de hoje, com cintos bem afivelados, o crescimento de mais de 15% com as exportações, é algo a se comemorar. O número de empregos aumentou, e com dificuldades a cidade mais uma vez vai se reinventando.

 

 

 

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