A chuva

Como uma benção dos céus, eis que neste calorão vem a deliciosa chuva para refrescar... Chove, chuva, chove sem parar.

Pense bem nas chuvas que você já viu e curtiu na sua vida, uma coisa tão simples, mas tão marcante para todos.

Como me lembro da minha infância, dos dias de chuva! Acho que antigamente chovia mais, era entrar no mês de dezembro e ela já dava o ar da graça. Interessante como somos marcados pelos aromas. O cheiro de terra molhada me transporta para o quintal da minha casa e lembro-me de quando eu bem pequeno pegava uma colher e ia raspar o lodo da parede, colocar barquinhos de papel nas poças deixadas pela chuva.

Como era bom vir da escola andando na enxurrada, uma verdadeira farra! Chegava em casa igual um pinto molhado, a mãe quase matava, vinha logo dizendo: “Entra rápido no chuveiro, toma um banho quente para tirar a friagem e toma um melhoral para não gripar”.

E nadar com a chuva caindo? Lembro quando era peixinho do sargento e começava a chuva. Não tinha essa de sair da piscina, só era liberado se começasse a trovejar ou houvesse raios, era perigoso. A água ficava totalmente quente e deliciosa.

Na adolescência, nos tempos dos shows, quando a chuva caía, a gente nem ligava. Continuava a dançar pingando de tão molhado, mas feliz. Como esquecer do Rock in Rio e do Hollywood Rock debaixo daquela tormenta toda? A vida para ser vivida.

E andar de bike nas estradas de terra e ser privilegiado por uma chuva, aquela que bate na cara, dificultando a enxergar, gritar como a amiga Luciene numa descida desenfreada: “Viva lá vida”.

E quando você está na praia e começa a chover? Um espetáculo de se ver e um perigo iminente. Lembro-me que numas férias em Dunas de Itaúnas, no Espírito Santo, fomos a uma festa na praia e a balada bombou. Lá pelas altas da madrugada, começou uma chuva louca. Nós todos, debaixo de um grande quiosque, em certo momento, escutamos um grande estrondo. Era um raio que caiu perto da gente, acertando um rapaz que morreu na hora. Lembro que ficamos em estado de choque, mas com certeza era sua a hora, pois, em meio a umas duzentas pessoas, foi o único atingido, era para ele mesmo.

Mas ainda não inventaram nada melhor que domingo chuvoso, jogado no sofá, assistindo um bom filme, se esbaldando na pipoca com suco gelado. Delícia!

E nós continuamos aqui, na Tok Empreendimentos, sendo felizes. Rua Cristal, 120, Centro.

rachidmendes@hotmail.com


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