A Câmara atípica

 

Desde o início desta legislatura, foi possível perceber que esta Câmara seria “atípica”. Mas não “atípica” no sentido positivo, que traria desenvolvimento para Divinópolis. Desde as primeiras reuniões, percebeu-se que seria a Câmara do estrelismo. Quem contava já perdeu as contas de quantas vezes as reuniões ordinárias não passaram de briga de egos. Um vereador querendo se mostrar melhor que o outro e, para isso, muitas vezes vale tudo, até mesmo atacar o colega, atacar a imprensa ou o tribuno. Nessas brigas de egos travadas pelos parlamentares há pouco mais de um ano, o que se nota, além dos discursos teatrais, dignos de Oscar, é que Divinópolis parou no tempo. Entre gritos, berros e pronunciamentos sem sentidos, a população divinopolitana está em último lugar.

Mas como reclamar se os próprios divinopolitanos colocaram esses representantes lá? Cheios de articulações e alguns de olho em cargos na Prefeitura, os vereadores legislam, durante boa parte do tempo, em causa própria. Entre um discurso e outro, deixam isso muito claro.

Em pronunciamento durante uma reunião ordinária, o vereador Dr. Delano Santiago (MDB) reclamou da exoneração de um funcionário nomeado em cargo comissionado na Prefeitura. Queixou-se que o Poder Executivo tinha exonerado um pai de família, trabalhador e assumiu que o funcionário era sua indicação. Após passar atestado de que também comia (ou come) do bolo lá do Alto da Paraná, Delano ainda jogou para cima do Ministério Público a obrigação de investigar as denúncias apresentadas pelo ex-aliado do prefeito Galileu Teixeira Machado (MDB), Marcelo Máximo de Morais, mais conhecido como Marreco.

Logo após o pronunciamento de Marcelo Marreco, no dia 24 de abril, o líder do MDB na Câmara, além de tentar isentar o Poder Legislativo da responsabilidade de investigar as denúncias graves contra o prefeito, questionou a veracidade das gravações. Foi, no mínimo, muito estranho.

Já o rei das redes sociais Cleitinho Azevedo (PPS) parece muito focado em seus vídeos, em suas curtidas, seus compartilhamentos e seus milhões de comentários na internet. Azevedo sabe, sim, fazer vídeo; sabe, sim, falar aquilo que o povo quer ouvir; porém, não soube fazer um requerimento de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

O mais estranho é que, mesmo tendo feito o pedido da instauração da CPI da Copasa, Cleitinho não conseguiu fazer o mesmo com a CPI do Copacabana. O vereador demonstrou que sequer sabia como o requerimento deveria ser feito e que o Regimento Interno da Câmara determina a assinatura de, no mínimo, seis vereadores, além de apontar o crime a ser investigado para que o presidente acate o pedido. E não! Por mais que, em seus discursos, Cleitinho fale que tem humildade para ser criticado, não é o que parece. O vereador procura sempre “as forças ocultas” que o querem fora do poder, mas tem dificuldade de olhar para si mesmo.

A cada terça e quinta-feira, os vereadores mostram que precisam se preparar melhor para exercer a função. E basta uma volta nos corredores da Câmara para o eleitor se arrepender amargamente de ter escolhido esta Câmara atípica.

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