A bola da vez

Raimundo Bechelaine

Desde as eras mais primitivas até hoje, o espaço e os corpos celestes nos fascinam. O sol, a lua e a noite pontilhada de luzes faiscantes sempre atraíram nossa emoção e curiosidade. Uma das frases famosas de Emanuel Kant, um dos maiores luminares da filosofia, bem expressa isto. "Duas coisas me despertam grande admiração: por sobre mim o céu estrelado, em mim a lei moral", escreveu ele. 

Nas artes, como a pintura, a poesia, a literatura em geral, e até nas religiões, expressam-se a fascinação que os astros nos causam. Chegamos a cultuá-los como deuses e muita gente crê que depende deles o rumo de nossas existências. Deixou-nos Olavo Bilac um poema belíssimo, publicado na coletânea a que deu o título de "Via Láctea". É o décimo terceiro de trinta e cinco sonetos. Diz ali o poeta que se levantava, de madrugada, e abria a janela, "pálido de espanto", para ouvir as estrelas e conversar com elas. 

Talvez hoje não sejamos mais tão parnasianamente românticos, porque os instrumentos científicos, cada vez mais potentes e sofisticados, vão devassando o infinito e acabando com os mistérios e lendas. Já não haverá hoje quem converse com as estrelas. Os comunistas da União Soviética foram os primeiros a colocar um homem no espaço. Despeitados, os estadunidenses correram atrás e levaram seus homens e sua bandeira à lua.

Nossos olhares voltam-se agora para Marte, planeta que recebeu o nome do deus romano da guerra, filho de Júpiter e da deusa Juno. Falando em linguagem popular, é "a bola da vez". É o segundo menor planeta do sistema solar, nosso vizinho, visível a olho nu, nas noites de céu limpo. Sempre despertou nossas atenções e muita imaginação e fantasia. Aliás, em matéria de imaginação e fantasia, um médium espírita chegou a descrever com detalhes a avançada civilização que lá ele assegurava existir. Porém ainda não é ali que encontraremos seres inteligentes, nossos desejados companheiros com os quais compartilharemos o universo. Já sabemos com certeza que eles, se existem, estão bem mais distantes. Os cientistas se darão por satisfeitos se encontrarem, no solo marciano, alguma bactéria, uma amebazinha que seja. Já será uma revolução nos nossos conhecimentos e na nossa visão de mundo.

É melhor pensar e agir cientificamente. União Europeia, Rússia, Nasa, China e até a Índia e os Emirados Árabes estão visitando o planeta. Os marcianos, se existissem, estariam incomodados, ou talvez orgulhosos, por serem alvo e centro de tantos olhares e atenções. Maravilhados, estamos recebendo centenas de fotografias e vídeos do simpático planetinha vermelho. Em breve teremos amostras do seu solo. Já podemos vislumbrar, sem ficção, o dia em que alguns dentre nós, terráqueos, descerão em Marte. Quem viver verá. jorababech@gmail.com 

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