A 2ª Guerra em Belo Horizonte

No início deste mês, completaram-se 74 anos do fim da chamada 2ª Guerra Mundial. Toda ela transcorreu fora do território brasileiro, mas nosso país participou do conflito, nossos soldados lutaram na Europa. O que acontecia lá, onde a guerra se desenrolava, é hoje bastante conhecido. Há milhares de documentários, livros, filmes e até museus sobre o assunto.

Entretanto, ainda existem aspectos menos pesquisados e analisados, daqueles terríveis acontecimentos. Por exemplo: como transcorria a vida da nossa gente aqui, durante a guerra? Até que ponto e como o cotidiano da nossa população foi afetado pelo grande conflito? Esta e outras questões relacionadas serão tratadas na próxima semana, pela Associação dos Graduados e Estudiosos de Filosofia do Centro-Oeste Mineiro (Agefil), com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

A historiadora divinopolitana Maria Patrícia Costa Alcântara apresentará uma síntese da sua dissertação de mestrado: “Os conflitos de um conflito: processos trabalhistas ajuizados nas Juntas de Conciliação e Julgamento de Belo Horizonte durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)”. Ou seja, bem perto de nós, na capital de Minas Gerais, as relações e conflitos trabalhistas eram afetados pelas situações decorrentes da guerra. O cotidiano da população civil em contexto de guerra; as lutas por direitos frente ao Estado fascista, encabeçado por Getúlio Vargas; a forte discriminação contra os imigrantes alemães, italianos e japoneses, rotulados como inimigos; os usos que os atores sociais faziam das instituições, entre elas a Justiça do Trabalho – tudo isso e bem mais foi cuidadosamente pesquisado, desvendado e analisado pela atenta pesquisadora. Nos arquivos judiciários e jornais da época, ela encontrou o material para o seu excelente e surpreendente trabalho científico. Patrícia Alcântara obterá brevemente o doutorado em História, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Esta será mais uma conferência da série “Terça Filosófica”, na Sala Adélia Prado da Biblioteca Municipal, dia 20, às 19h. O mediador será o professor José Maria de Alcântara, formado em filosofia e ex-presidente da Agefil. 

De Divinópolis e da região partiram combatentes para as batalhas na Europa. Aqui havia igualmente imigrantes europeus, sobretudo italianos. É bem possível que o brilhante estudo da doutoranda Patrícia divise algum horizonte inexplorado para a nossa historiografia. jorababech@gmail.com

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