88 anos de lutas e glórias

 

 

José Carlos de Oliveira

 O Guarani completa hoje, 20, 88 anos de história e conquistas. Com a interdição do estádio Waldemar Teixeira de Faria, temporariamente impedido de funcionar pela Vigilância em Saúde, a diretoria alvirrubra decidiu adiar a festa de confraternização.

Os diretores aguardam uma resposta da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) a respeito da liberação do estádio para marcar a data da festa. A comemoração deve ocorrer no fim deste mês e início de outubro.

O atual presidente do clube, Vinicius Morais, tem como meta da gestão, que o alvirrubro volte a investir em categorias de base, formando, no próprio Farião, seus principais jogadores, com atletas da cidade e região.

História 

O Guarani foi fundado em 20 de setembro de 1930. José de Oliveira reuniu os amigos para a formação de um time de futebol. A partir desta ideia, a "brincadeira" começou a se tornar séria e foi fundado o alvirrubro do bairro Porto Velho.

Os primeiros anos do Bugre ficaram marcados pela rivalidade com o Ferroviário Atlético Clube, do bairro Esplanada. O rival era uma equipe dos funcionários da Rede Ferroviária Estadual, hoje FCA, que foi o setor mais forte da indústria divinopolitana na metade do século passado.

Em 1936, com o surgimento da Liga Municipal de Desportos de Divinópolis, LMDD, o Guarani se inscreveu no Campeonato da Cidade, mandando seus jogos em um campo onde hoje se encontra a sede da Copasa, entre os bairros Bela Vista e Esplanada. A partir daí, o Bugre consolidou seu nome na cidade e em toda a região Centro-Oeste.

Farião 

O estádio Waldemar Teixeira de Faria, onde hoje o Guarani manda seus jogos, foi fundado no final da década de 40, em 1949. De lá para cá o campo passou por mudanças e hoje sua capacidade é de apenas 4.181 torcedores.

Após a reforma do estádio, na década de 60, o Farião recebeu um duelo entre Guarani e Botafogo do Rio de Janeiro, que trouxe a Divinópolis um dos maiores jogadores da história do futebol, o craque Mané Garrincha.

 Década de 1960 

Em 1961, o Guarani foi vice-campeão mineiro, perdendo o título para o Cruzeiro nas últimas duas rodadas do torneio, que era disputado no sistema de pontos corridos. Era a melhor campanha do clube até então.

Torneio Início 

Em 1964, o Guarani conquistou o título do Torneio Início. Após empate por 0 a 0 no tempo normal, o Bugre venceu o Atlético Mineiro por 2 a 1 na disputa de penalidades. Na ocasião, o Guarani era escalado da seguinte forma: Pedro Bala; Torres, Faria, Mirim, Luizinho, Gonçalves, Panhoto, Jaime, Sinval (Celmo), Ticrim, Edinho. Técnico: Mário Celso (Marão). 

Campeão da Segunda Divisão 

Em 1994, o Bugre conquistou o título da Segunda Divisão. No time treinado pelo técnico Brandãozinho, diversos nomes entraram para a galeria de ídolos do clube, como Assis, Hgamenon, Renato Paulista, Tarcísio, Adilson (Xuxa, Coca-cola) e vários outros.

Idas e vindas 

O início do século XXI ficou marcado por idas e vindas do Guarani, mas no geral os anos foram mais positivos para o alvirrubro. Em 2000, o Guarani foi vice-campeão mineiro do Módulo II, retornando à elite do campeonato mineiro. Mas acabou rebaixado no ano seguinte, com péssima campanha no estadual.

Em 2002 veio a redenção. O Guarani mostrou que merecia um lugar na elite do futebol mineiro e foi campeão do Módulo II pela primeira vez.

A partir daquele ano, o Bugre participou de sete temporadas seguidas na elite do futebol mineiro, de 2003 a 2009. Sua melhor campanha foi no campeonato de 2008, quando terminou em 5º lugar e teve o artilheiro da competição. Porém, em 2009 a equipe alvirrubra não conseguiu repetir a boa campanha do ano anterior e foi rebaixado ao Módulo II.

Em 2010, o clube passou por uma reestruturação administrativa, quando tomaram posse o presidente Edilson de Oliveira, o vice Nivaldo Araújo, o gerente Renato Montak, e um corpo gestor de 10 membros. Nesse mesmo ano, o Guarani disputou o Módulo II do Campeonato Mineiro, sagrando-se bi-campeão, ao vencer o Mamoré na grande final e conquistando o acesso ao Módulo I para o ano de 2011.

Neste ano, disputou novamente a primeira divisão do Campeonato Mineiro, terminando a competição na 8ª colocação. O Bugre teve um início de competição avassalador, levando seu nome a muitas manchetes em Minas Gerais e em todo o Brasil. Porém não conseguiu manter a regularidade e brigou contra o rebaixamento no fim do campeonato.

O jovem Luiz Fernando foi o destaque do Bugre, conquistando o prêmio de melhor jogador da posição na Seleção Campeonato Mineiro 2011.

No segundo semestre, o Tamanduá participou pela primeira vez da Taça Minas Gerais, sendo eliminado na semifinal pelo Boa Esporte, quarta força do futebol mineiro na época.

Em 2012, terminou o Campeonato Mineiro na sexta posição, conseguindo uma vaga à Série D do Campeonato Brasileiro. O presidente Edilson de Oliveira chegou a anunciar a desistência da competição, alegando problemas financeiros. Mas depois de reunião da CBF com os clubes, a entidade ficou responsável pelos gastos com o transporte das equipes, o que fez com que o presidente voltasse atrás à sua decisão.

O Guarani ficou em quinto e último lugar do grupo A6, marcando no total 6 pontos, dos quais cinco foram fora de suas dependências. O Grupo foi formado por Friburguense-RJ, Nacional-MG, Aracruz-ES e Volta Redonda-RJ, além do Bugre. Ficando na 33º posição geral entre 40 equipes.

Em 2013, o Bugre terminou o Campeonato Mineiro na sétima colocação. O time venceu as partidas contra os times do América-TO, Nacional, Araxá e Boa Esporte. Além de empatar com Caldense e Cruzeiro, sendo a única equipe a conseguir pontuar contra a Raposa na Primeira Fase. O Guarani teve seu mando de campo na cidade de Nova Serrana, na Arena do Calçado.

 Novos tempos 

No dia 14 de maio de 2013 foi eleita uma nova diretoria para o Guarani, o ex-presidente Edílson de Oliveira renunciou ao cargo, e o vice, Gilson Morais assumiu a presidência bugrina até o fim do mandato, em Junho de 2014.

Em 2014 o clube celebrou a volta do mando de campo para Divinópolis. Dentre os jogadores contratados para a temporada, sob o comando do técnico Leston Junior, destaques para o goleiro George, os zagueiros Marx Ferraz e Cris, os meias Michel Elói, Tiago Carpini e Michel Cury e os atacantes Tito e Tiago Pereira. O clube terminou o Campeonato Mineiro na 10ª colocação, se livrando do rebaixamento na última rodada, com uma vitória heróica por 2 a 1 sobre o Tupi, em Juiz de Fora.

Em 2014, em um concurso de musas, a divinopolitana Renata Martins, representante bugrina, venceu como Musa do Mineiro 2014.

Em junho, o presidente Gilson Antônio Morais foi reeleito para comandar a equipe até 2016, entre suas realizações, destacam-se as Certidões Negativas de Débitos Federais e Previdenciários, que permitem ao clube o direito de solicitar e receber verbas federais, como, por exemplo, em emendas orçamentárias.

O Guarani, em parceria com a Liga Central Fut-7, ainda foi vice-campeão do primeiro Campeonato Mineiro de Futebol de 7.

Este ano, o Guarani conquistou o tricampeonato do Módulo II, com empate em 1 a 1 frente o Tupynambás, na última partida, disputada no Farião, no bairro Porto Velho. A base do time campeão, treinado por Gian Rodrigues, foi: Leandro; Ricardo Luz, Helder, Eduardo e Thiago Balaio; Kauê, Alemão, Leomir e Magalhães; Paulo Morais e Pedrinho.

Time família 

Ao longo dos anos, a história do Guarani se confundiu com a história de muitas famílias de Divinópolis e região. Na casa do ‘seu’ Vergílio, no bairro Porto Velho, o amor pelo alvirrubro passou de pai para filhos. O pai, Antenor ‘Louro’ Vergílio foi um dos fundadores e jogador do Bugre e seus filhos lhe seguiram os passos. Nas últimas décadas do século passado, os três – Lucinho, Adilson e Felpa - vestiram a camisa do alvirrubro.

Lucinho, o mais velho, defendeu o Guarani de 78 a 82. Jogou também no América Mineiro e no Fluminense de Araguari.

O atacante Felpa jogou no Bugre nos anos 70, depois foi para o Atlético Mineiro, de Telê Santana, e ainda defendeu as equipes no Operário de Mato Grosso, Araguari, Fluminense e Atlético de Três Corações.

Adilson Beiçola, o filho do meio, jogou no Guarani em 68 e fez parte do time que foi rebaixado da Segunda Divisão e voltou ao amadorismo.

Categorias de base 

Nas décadas de 70 e 80, mesmo quando não disputava torneios profissionais, o Guarani tinha um cuidado especial com seus atletas de base. Geraldo Lúcio ‘Carão’ de Oliveira, ao lado de José Maria Scaldini, eram os responsáveis pelas categorias de base do Alvirrubro, tendo formado vários atletas para o profissionalismo e conquistado títulos no amadorismo da cidade.

(Com Davi Raposo)

 

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