23º Batalhão da PM inova e reduz gastos com água e energia

 

Marília Mesquita 

O medidor indica que 50% dos reservatórios de água estão cheios no 23º Batalhão da Polícia Militar (23º). E o sol, que parece ter se restabelecido nestes últimos dias, aponta que os índices da produção de energia elétrica podem ser ainda mais significativos.

Tudo isso é resultado do sistema pioneiro na Polícia Militar de captação de água pluvial e da instalação de 40 placas fotovoltaicas que estão em funcionamento, desde setembro, no pátio do Batalhão, no bairro Afonso Pena.

E claro, de iniciativa do tenente Stanley Pena que, há três anos na sessão de finanças e projetos do Batalhão, não tem medido esforços para implantar medidas sustentáveis que beneficiem a instituição pública, o meio ambiente e, também, o cidadão.

— Precisamos aprimorar nossos processos para gerenciar custos e economizar. O gasto público precisa ser abordado de uma forma técnica e projetos como este, convergem para esta expectativa. O cidadão espera que nós sejamos mais eficientes e cautelosos com o dinheiro público e conseguimos reduzir o custo aqui dentro, impostos podem ir para outra finalidade — pontua o tenente.

Água

São 2.070 m³ propícios para a captação de água. Por isso, uma estrutura de canos foi montada para que a cobertura da quadra esportiva e de prédios sejam instrumentos para levar a chuva até uma caixa de decantação: o primeiro passo para a reutilização.

Após filtrada, as folhas, os pequenos galhos e qualquer sujeira possível de ser arrastada pela chuva fica retida e é separada da água que é, igualmente distribuída em três caixas d’água com capacidade para 15 mil litros, cada uma.

— A primeira água que chega é suja e, por isso, a necessidade de ir para o tanque. Os três mil litros que podem ficar acumulados ali, são usados para jardinagem e para limpeza geral. Após filtrada, a água limpa vai para os reservatórios e está pronta para o uso nos sanitários — explica.

Este projeto abrange o consumo de apenas um dos prédios do Batalhão, o do Centro Integrado de Operações da Polícia Militar (Copom). É nele que estão os sanitários de toda unidade e, consequentemente, é onde possui o maior volume gasto de água: 60%.

— A água que captamos é utilizada para a descarga de 12 privadas e a estimativa é de que, apenas com essa atitude, seja gerada uma economia de R$ 8 mil anualmente, aos cofres públicos — conta.

A expectativa é que outras duas caixas sejam adquiridas, o que aumentaria a capacidade de armazenamento para 75 mil litros de água. Porém, ainda que apenas três estejam disponíveis, a reserva é suficiente para abastecer até três meses de consumo, mesmo que não chova. 

Energia

Os dias de sol, que não são raros em Divinópolis, são essenciais para a produção de energia solar em uma pequena usina instalada para gerar, em média, 1.400 kw/h, por mês.

— Hoje, conseguimos cobrir apenas 12% do consumo de energia do Batalhão. Mas, a intenção é conseguirmos que toda a energia consumida seja produzida de forma sustentável. Porém, ainda que não seja possível, neste momento, já conseguimos uma economia de R$ 3 mil nestes últimos três meses— revela

Além de diminuir os custos públicos, em três meses de funcionamento, 1,7 tonelada de gás carbônico deixou de ser emitido no meio ambiente e na preservação de 11 mil árvores.

Para este projeto, R$ 16,2 mil foram investidos, o que deve levar cinco anos para ser recuperado.  

Exemplo

Há 13 anos na polícia e mestre em administração pública, o tenente disse que o que move ele é a sustentabilidade e, por isso, a necessidade de explorar os recursos naturais de modo positivo.

— A proposta é transformar o Batalhão em uma referência de sustentabilidade. E como referência, temos vários aspectos a trabalhar, entre eles, a captação de água pluvial já que somos privilegiados em estrutura e na utilização da luz solar — conta.

Mas, além de exemplo como instituição pública, o Batalhão ainda mostra como a educação ambiental pode ser significativa quando adotada na prática. Professor do curso de Engenharia civil na Faculdade Pitágoras, o Tenente

— Eu tinha uma turma de alunos inteligentíssimos, esforçados e sedentos por aprender. Assim, os alunos vieram e realizaram um trabalho de seis meses para que o projeto finalmente pudesse funcionar— elucida.

Indo mais a fundo, crianças do 4º ano do ensino fundamental do Colégio Tiradentes foram instigadas a criar frases, para que as melhores fossem expostas junto às caixas que armazenam a água. 

—A possibilidade de trazer essas crianças ultrapassa a expectativa profissional expõe valores. Esta educação de prevenção ao desperdício faz com que elas saiam daqui com essa formação sustentável, isso é muito legal — diz.

— Vamos ajudar o meio ambiente reutilizando, reciclando e reduzindo. Assim, faremos um mundo melhor e “nós sempre precisamos do planeta e agora ele precisa de nós!” são as expressões que ilustram a fachada de toda estrutura montada no 23º BPM — sintetiza.   

Apoio

Um bom trabalho é feito por muitas mãos. Assim, além dos estudantes de engenharia que realizou estudos técnicos. O soldado da PM, Rômulo Tomaz, foi o engenheiro que validou todo o projeto, a partir do conhecimento que possui como engenheiro. Além disso, um detento, que foi condenado a pagar pena através de serviços sociais prestados à comunidade colaborou na construção da estação de captação, mediante convênio com o à justiça estadual. A Prefeitura de Divinópolis cedeu a mão de obra, através da Secretaria de Operações Urbanas (Semop) e ainda a Copasa e a Cemig, forneceram técnicos para prestar auxílio.

 

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