2020, um ano inesquecível

Manoel Brandão

O ano de 2020 foi mesmo dificílimo. Ninguém, em sã consciência, imaginaria que a humanidade atravessaria momento tão delicado, que traria desafios nos mais diversos aspectos da vida cotidiana. Muita coisa mudou rapidamente, com desdobramentos afetivos, culturais, tecnológicos, econômicos, políticos e sociais.  

Entretanto, mesmo diante das enormes dificuldades, a advocacia continuou a desempenhar a sua missão institucional, fazendo valer, cada vez mais, a premissa inarredável de que “o advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”, conforme o disposto no art. 133 da Constituição Federal.

A advocacia, como tantas outras profissões liberais, viu a abrupta consolidação de mudanças que, embora já estivessem em curso, ainda eram consideradas meras tendências. Os processos digitalizados e a prática de atos virtuais se fizeram cada vez mais presentes no cotidiano forense, sendo que até mesmo a forma de atendimento aos clientes, foi impactada. Alguns se adaptaram com mais facilidade e outros, por sua vez, absorveram as mudanças com maior desgaste de energia. 

Não fosse o bastante, durante o decurso deste ano já tão desafiador, muito se conjecturou sobre o futuro da advocacia. Houve especulações diversas, sendo que alguns colegas mais alarmados chegaram a “profetizar” que a advocacia, em razão do alcance cada vez mais ampliado da inteligência artificial, estaria próxima do seu trágico final.

Embora respeite todos os posicionamentos, eu não acredito no fim da advocacia. Explico. Se é certo que o jeito de advogar mudará, também é óbvio que a figura do advogado será cada dia mais importante para consolidação do “novo normal”. Se as relações sociais estão se modificando, torna-se imperativa a utilização de ferramentas jurídicas originais para acomodação das respectivas diferenças. Novas relações humanas e sociais geram novos interesses, novos contratos, novos conflitos, novas necessidades e inúmeras outras formas de pensar e aplicar o direito. 

Por sua vez, as tecnologias disponíveis, além de aumentarem a produtividade, ampliaram muitíssimo a capacidade de atuação do profissional da advocacia, bem como o potencial de acesso dele à cultura e à formação jurídica e humana de qualidade. 

As distâncias ficaram menores e os limites territoriais se tornaram praticamente inexistentes. Muito em breve, com frequência, um escritório do interior poderá ser acessado por clientes de diversas partes do país, respondendo a demandas em inúmeras localidades, com preços competitivos e sem maiores impactos em seus custos.

Se há crise, também há oportunidades

O importante mesmo é se preparar, desenvolvendo as habilidades fundamentais para o sucesso nestes tempos tão desafiadores. Cada dia mais, o mercado exige liderança, resiliência, boa capacidade de comunicação e excelente preparo técnico. O profissional deve se conhecer bastante para acessar e potencializar seus pontos fortes. 

O desafio é grande, mas, como a advocacia é uma profissão para corajosos, as advogadas e os advogados certamente estão aptos para atravessarem todos os obstáculos esculpidos por esses novos tempos.

A sociedade brasileira precisa muito da advocacia e, como em outras tantas oportunidades, sempre poderá contar com essa classe trabalhadora, dedicada e empreendedora, constituída por mulheres e homens corajosos, que acreditam na importante missão de saciar a sede e a fome daqueles que têm sede e fome de justiça. 

Confiando cada dia mais em dias melhores, desejo a toda a advocacia de Divinópolis muito sucesso e um próspero 2021!

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