“Tudo foi um teatro”, diz vereador

Maria Tereza Oliveira

A Câmara ontem foi palco de uma denúncia de suposta tentativa de compra de votos, que estaria ligada à votação das denúncias por infrações político-administrativas contra o prefeito Galileu Machado (MDB), ocorrida na última sexta-feira, 6. Dr. Delano (MDB), durante seu pronunciamento, alegou que na noite que antecedeu a votação foi procurado por um assessor de um vereador da Casa. O intuito, de acordo com o parlamentar, era providenciar um encontro entre ele e o vice-prefeito, Rinaldo Valério (DC). No dia da votação, Eduardo Print Jr. (SD) já havia relatado ter recebido o vice em sua residência.

A votação das denúncias contra o chefe do Executivo era três: suposta troca de favores com a oferta de um cargo comissionado para alguém que, supostamente, não estaria habilitado para tal ocupação; possível renúncia de receita com o estacionamento rotativo e, por último, o uso da Tribuna Livre feito pelo procurador do Município. Ele foi inocentado das três acusações na sexta-feira, 6.

Plenário deserto

Delano, como de costume, foi o primeiro vereador a dar seu depoimento. Em sua fala, ele criticou a falta de parlamentares no plenário.

— Como sempre, é assim mesmo o plenário: tem essa baixa de colegas, e não tem quase ninguém que precisa ouvir — criticou.

O parlamentar citou uma passagem na Bíblia em que Jesus passava a noite em uma montanha refletindo sobre quais deveriam ser escolhidos entre os discípulos.

— Quando o sol nasceu, ele [Jesus] desce da montanha e escolhe os 12 apóstolos. Dentre eles, Judas. Desde quando Jesus estava refletindo na montanha, ele já sabia que seria traído por Judas, mas que mesmo assim precisava escolhê-lo — destacou.

A passagem bíblica foi citada, pois, segundo Delano, a situação o fez lembrar da votação de sexta-feira.

— Eu não vim, mas mesmo se tivesse vindo, meu voto seria favorável para que Galileu permanecesse no cargo. Eu recebi um telefonema na minha casa, de um assessor de um vereador, que eu não vou falar o nome, mas a gravidade da ligação... — começou.

Ainda de acordo com Delano, este assessor teria o dito que Rinaldo Valério queria conversar com ele e perguntado se Delano o receberia.

— O que este assessor ouviu de mim foi o mesmo que eu vou falar para vocês agora: “Não prossiga o assunto. Eu não tenho de falar com ele”. E desliguei — contou.

Judas

O vereador prosseguiu dizendo que tinha sido informado que Rinaldo não era o único culpado pela tentativa de “golpe”.

— Até porque me contaram que o senhor [Rinaldo] é uma boa pessoa, mas que, por trás, há um monte de Judas. Esses Judas acharam que você tinha uma varinha de condão e que, em 12 meses, resolveria os problemas da cidade — ironizou.

Delano afirmou que na sexta-feira não estava sendo julgada a denúncia em si, mas a compra de votos.

— Isso é grave? É gravíssimo. Porque se eu tivesse aceitado a proposta dele para recebê-lo na minha casa – para ouvir o quê? – ou se o Print aceitasse, seriam trocados dois votos. A canalhice propagaria. Aquilo tudo foi um teatro porque estavam querendo a cassação de qualquer forma, mas não pela denúncia — disse.

Delano salientou ser uma pessoa transparente.

— Posso ter muitos defeitos, mas sou franco e fiel. Quem traiu – ou pensou em trair – o Galileu, tem capacidade para trair o presidente, a esposa, o filho e qualquer um de vocês. Porque traidor e mau-caratismo não têm remédio. Nasce mau-caráter e morre mau-caráter. Não chegue perto de mim para me oferecer secretaria, cargo... Eu não preciso de nada disso. Eu tenho profissão e estou aqui para ajudar o povo — alertou.

Sem resposta

O Agora entrou em contato com Rinaldo Valério várias vezes, no fim tarde, ele atendeu e disse que se pronunciaria nesta quarta-feira.  

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