É tempo de falar

Editorial 

Foi dada a largada oficial pela busca das 17 cadeiras do Poder Legislativo e pelas duas do Poder Executivo. Os 18 candidatos à Prefeitura e vices, e os 337 à Câmara em Divinópolis já estão nas ruas da cidade em busca de votos e, quem sabe, de sua eleição. O jogo não é muito diferente do que é feito desde 1989, quando o brasileiro votou pela primeira vez depois do fim da ditadura militar. De um lado temos os candidatos vestindo seus trajes mais simples, elaborando as melhores estratégias, discursos e posturas, enfim, tudo para agradar à população, que neste momento é ouro reluzido. Do outro, temos o eleitor esperando por tudo isso e fazendo o seu leilão: quem dá mais? Quem fala mais o que eu quero ouvir? Quem promete mais? Esta é a realidade nua e crua. Entra ano sai ano, vem eleição e vai eleição, e as estratégias são basicamente as mesmas, pois o sistema é o mesmo. Às vezes o que muda é o meio de comunicação e a linguagem utilizada. 

Com o jogo político a todo vapor e os candidatos vestidos de ovelhas, muitos se esquecem que, desde domingo, a conta foi aberta pelo “dono do bar” e que ela será paga de 2021 para frente. E aí fica a pergunta: a conta será alta? Quem vai pagar? É claro e inegável para toda a população que Divinópolis se arrasta desde 2015. A cidade, que já foi a 5ª melhor para se viver em Minas Gerais, no início dos anos 2000, hoje parou no tempo. A máquina pública mal consegue se sustentar, e engana-se quem pensa que a culpa é exclusiva do atual prefeito Galileu Machado (MDB). Isso é apenas o reflexo de gestões anteriores que foram desastrosas. Quem não se lembra que Vladimir Azevedo (PSDB) deixou o Executivo Municipal com uma dívida de R$ 58 milhões? Quem não se lembra de que Galileu pagou as contas deixadas pelo ex-prefeito e não conseguiu cumprir 1/3 de suas promessas de campanha? Não conseguiu fazer uma ponte sequer, mal-mal um operação tapa-buracos, resultado principalmente dos recursos travados no Governo do Estado.

 A verdade é que tudo é o reflexo do jogo que é feito a cada quatro anos. O candidato fala o que o eleitor quer ouvir e pronto, ganhou o voto, quando a realidade é dura e bem diferente dos discursos bonitos que já estão sendo feitos. Muitos devem saber, mas desde que assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2017, Galileu escalonou os salários dos servidores, enfrentou crise gravíssima na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), lançou dois pacotes de economia, fez mil promessas, mas não conseguiu cumprir. Isso só prova mais uma vez que o tempo de fala é diferente do tempo de execução. Que uma coisa é campanha, outra é mandato; que nem sempre ouvir o que te agrada é o melhor para a cidade, e que palavras se desfazem com o vento. 

O tempo de falar está aí, chegou em meio a uma pandemia, que deve ser levada em consideração, afinal, os eleitos terão que trabalhar e muito para não deixar a cidade afundar de vez. E agora caberá ao eleitor estar aberto à realidade ou continuar nesse país das maravilhas, que se vai embora a cada quatro anos, quando o mandato chega e a campanha vai embora. 

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