É sério mesmo, general?

 

Ricardo Welbert

"Família formada apenas por mãe e avó em áreas pobres é fábrica de elementos desajustados". Esta frase foi dita pelo general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República.

Trocando em miúdos, Mourão disse que se uma criança pobre cujo pai não participa da criação e que por isso cresce morando com a mãe e com a avó se tornará criminosa. Do ponto de vista dele, o narcotráfico recruta jovens de famílias pobres "sem avô e pai, mas com avó e mãe", como se a razão para o envolvimento de tantas crianças e tantos adolescentes com a criminalidade fosse a ausência de uma figura masculina em casa.

Imediatamente, vários concorrentes da dupla dinâmica se posicionaram.

Marina Silva (Rede) escreveu: 

— É uma afronta chamar de desajustados os filhos de 11,6 milhões de mulheres que chefiam lares. Elas enfrentam sozinhas todas as dificuldades para dar um futuro a filhos e netos. É da valentia dessas mães e avós que nasce o milagre da sobrevivência de milhões de pessoas.

De vice pra vice, Manuela D’ávila (PC do B), da chapa com Fernando Haddad (PT), escreveu:

— Pergunte pra uma mãe que cria seu filho sem ter um pai que compartilhe responsabilidade como ela se sente quando ele entra na universidade com o Prouni. Pergunte pra uma avó como ela se sente quando a neta consegue o primeiro emprego. Você não entende nada sobre a vida real do nosso povo, general. Elementos desajustados são aqueles que não percebem a força da mulher para construir este país. Nossas mulheres dedicam grande parte de suas vidas a suprir ausências. Seja a dos pais de seus filhos, sejam as ausências do Estado — rebateu D'Ávila. 

Essa é a campanha mais anti-mulheres da história.

 

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