Às custas do povo

Preto no Branco

Sempre ele. É quem paga literalmente a conta. Paga os salários dos políticos, mordomias e até a corrupção, e ainda suas contas em dia. Mas não só isso, vai mais além. Paga com a vida porque escolhe mal seus representantes. E não toma nenhum sofrimento como lição. Continua acreditando em promessas, falsas mudanças e elegendo os mesmos ou os mesmos dos mesmos. O desvio de recursos para covid-19 e a perda de validade nos equipamentos fundamentais para salvar vidas, no Rio de Janeiro, só escancara que a corrupção segue firme e não escolhe partido e nem cara de ninguém. Muito menos etnia, grau de escolaridade, nacionalidade, profissão ou religião. Tanto é que escândalos de desvio de dinheiro em igrejas católicas, evangélicas, templos espíritas pipocam cada vez com mais frequência.  Quantas atitudes ilícitas e crimes justificados em nome de Deus, usando da fé para esconder crimes e recrutar eleitores? Pois é, infelizmente, é isso que o povo recebe daqueles que juram representá-los de forma digna, mas que, na verdade, são egoístas, hipócritas e maquiavélicos.   

Escolhe, sim 

E dizer que a corrupção não escolhe pessoas, às vezes, é muito controverso. Visto que escolhe, sim. Escolhe caráter. Ou melhor, pessoas desprovidas dele, sem um pingo de amor ao próximo e integridade. Pessoas capazes de utilizar qualquer meio sujo para chegarem ou continuarem no poder. O objetivo: benefícios econômicos, contas gordas no Brasil, fora dele ou em nome de “laranjas” E de quem é o dinheiro? Da população, é claro. Às custas da sua miséria. E dizer que todos são “farinha do mesmo saco”, nada disso. É uma ofensa a esse derivado da mandioca tão delicioso e apreciado em diversas regiões do Brasil. Se assim fosse, seus adeptos já estariam envenenados. 

Marketing ou despreparo?

E neste rastro de individualismo e do “nem aí” para o povo, a vacina chegou há cerca de uma semana, 700 mil pessoas foram imunizadas, apenas 0,33% dos brasileiros. No entanto, a quantidade poderia ser bem mais significativa se o Governo Federal não tivesse rejeitado a oferta de 70 milhões de doses do imunizante desenvolvido e produzido pela empresa americana Pfizer. O pior é que não se sabe o que é mais lamentável: a decisão de não adquirir a vacina, ou a explicação para a negativa por meio de nota do Ministério da Saúde. A pasta afirma que “as doses iniciais oferecidas ao Brasil seriam mais uma conquista de marketing” para os produtores da vacina e “causaria frustração em todos os brasileiros, pois se teria poucas doses”. Resta saber o que é pouco para o governo, já que o laboratório entregaria 2 milhões de doses no primeiro trimestre. Ou não conhecem o ditado: “Antes pouco do que nada”? Principalmente em se tratando de saúde ‒ ou mais uma vez zombaram da cara do povo, que não para de adoecer e morrer. Além, é claro, da falta de preparo em todos os sentidos. 

Não convenceu 

Além da pouca quantidade das doses alegada pelo Ministério da Saúde, cogitou-se a possibilidade de atraso na entrega. Alegações que não convenceram e causaram repercussão para lá de negativa. Especialistas afirmam que, para um país que acumula mais 217 mil mortes causadas pela covid-19, com um total de 8,8 milhões de casos confirmados da doença, qualquer ação para disponibilizar mais vacinas seria bem-vinda. Dizem ainda que a atitude é, no mínimo, duvidosa. E por que não? Basta fazer uma simples análise: a maior parte de seus lotes foi vendida para nações ricas, porém, países da América Latina, como Chile e México, compraram doses da Pfizer para suas campanhas de vacinação. Mas, neste sentido, um grande problema. A análise é feita apenas por quem sabe. Querer isso de quem defende o uso da cloroquina para curar a covid já é demais. 

Sem previsão 

E, por falar nela, uma nova remessa de vacinas contra a covid-19 chegou a Minas Gerais. São as 190 mil doses do imunizante da Oxford/AstraZeneca. As doses fazem parte de um grande lote produzido no Instituto Serum, na Índia. A informação foi confirmada pelo governador Romeu Zema (Novo). A distribuição vai acontecer dos mesmos moldes das primeiras doses, na semana passada, o que foi discutido ontem na Secretaria de Estado de Saúde (SES). No entanto, não há previsão para a chegada à Regional de Saúde em Divinópolis, conforme seu diretor, Julio Barata, disse à coluna. Até agora, apenas os servidores da saúde que atuam na linha de frente da covid receberam a primeira dose. A expectativa é que, agora, o alcance seja bem maior. E, se depender de torcida, será. O que não falta é gente na expectativa. 

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