“Pode me chamar de vulgar”, diz vereador

 

Maria Tereza Oliveira

Há menos de um mês atuando como vereador, Matheus Costa (PPS) já causa polêmica. Na última terça, 19, durante seu pronunciamento, o parlamentar teceu duras críticas à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settrans) e à Secretaria de Esportes. O Executivo não gostou da maneira como o edil se referiu aos secretários e soltou uma nota de repúdio.

O assunto voltou aos holofotes na reunião da Câmara de ontem, quando Matheus discorreu sobre a polêmica.

Críticas

A primeira crítica feita pelo vereador foi na última terça, quando comentou sobre a prestação de contas das pastas de Trânsito e de Esporte.

O vereador disse que o secretário da Settrans afirmou que em sua pasta não falta dinheiro e justificou.

— Eu sei por que não faltam recursos lá: no ano passado, foram 18 mil multas — afirmou.

Ele ainda criticou os gastos da Settrans com construção e manutenção das lombadas, semáforos e tinta de asfalto.

— R$ 4 milhões para fazer isso? Ô lombada cara. Deve ser folheada a ouro — ironizou.

Sobre a Secretaria de Esportes, o parlamentar criticou a falta de equipamentos. Ele mostrou indignação com a nomeação de Ewerton Dutra de Mendonça para a chefia da pasta.

— Relação com o esporte ele não tem. Ele é cunhado do vice-prefeito Rinaldo Valério (DC), por isso, foi nomeado secretário. Ele riu e disse que não tem dinheiro na secretaria. Então fecha essa secretaria — disse em tom firme.

Nota da Prefeitura

A Prefeitura não gostou das afirmações de Matheus e enviou à imprensa uma nota de repúdio.

No texto, a assessoria de comunicação defendeu as secretarias criticadas pelo vereador. Ela ainda destacou que o edil usou termo chulo, vulgar e tratamento desrespeitoso em relação às pastas em seu pronunciamento.

— A imunidade conferida ao parlamentar para, no exercício exclusivo de seu mandato, expor com liberdade suas ideias e críticas não pode servir de salvo-conduto para um ataque gratuito às instituições públicas e à pessoa de seus respectivos titulares — criticou.

A Administração justificou as limitações que os secretários têm de lidar, graças à crise econômico-financeira atual.

Censura

Em seu pronunciamento de ontem, Matheus voltou a falar do assunto e afirmou que a nota pode ter sido uma tentativa de calá-lo.

Questionado pela reportagem se ele encarava a situação como censura, o vereador revelou que, se essa foi a intenção, não deu certo.

— Desde o princípio eu fui claro ao afirmar que não deixaria que me intimidassem. Essa nota só me deu motivação para continuar e, com isso, mostraram que eles fazem parte da velha política — salientou.

O edil não gostou da nota da Prefeitura e destacou duas palavras do texto: chulo e vulgar.

— O sentido denotativo de chulo quer dizer que não é digno, grosso e de baixo calão. Chulo é o tratamento que vocês [Prefeitura] têm dado à população. Já a palavra vulgar quer dizer do povo, popular e comum. Disso vocês podem me chamar, porque eu realmente sou do povo e tenho usado uma linguagem comum para todos entenderem — justificou.

Nepotismo?

O parlamentar disse que esperava que, na nota enviada à imprensa, a Prefeitura tivesse respondido uma pergunta:

— É cunhado ou não é? — questionou.

Na nota do Executivo a questão foi abordada. A Prefeitura afirmou que a escolha dos secretários municipais é ato discricionário do chefe do Executivo que pressupõe confiança na capacidade e na lisura de comportamento de cada um deles.

— Os servidores são credenciados para o desempenho das tarefas que lhes são confiadas pela Administração Pública dia após dia — reforçou a Prefeitura.

Matheus disse ainda que tem acompanhado os decretos do prefeito Galileu Machado (MDB).

— Eu nunca vi tanto “Machado” na minha vida. É nepotismo cruzado, vamos dizer assim. Porque já tem até denúncias no Ministério Público (MP) — provocou.

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