“Ou vai ou racha”?

Crença popular afirma que a maturidade vem com o tempo.  Talvez, esta crença não seja tão certa assim. Basta olhar as atitudes de alguns vereadores para questionar se ela tem sentido ou não. O fato é que a Prefeitura de Divinópolis anunciou no fim da tarde desta segunda-feira que poderá iniciar o parcelamento do salário dos servidores. Entre as alegações estão: redução dos repasses do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 7,02% até outubro, e também a desatualização da planta de valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O Município reafirma – pela milésima vez – que a planta está desatualizada há 25 anos, o que gera, além de renúncia de receita, dificuldades para administrar as contas.

O assunto é delicado e merece ser discutido com mais embasamento técnico e menos politicagem. O segundo fato é que o Projeto de Lei do Executivo Municipal (Plem) 081/2018, que revisará a planta do IPTU está parado na Câmara há exato um ano. Sim! Faz aniversário hoje. Não é a primeira vez e, pode ter certeza, não será a última que o Agora destaca proposta de tamanha importância parada no Legislativo há tanto tempo. Afinal, quais são os interesses estão por trás disso? Esta é a segunda vez que o Executivo tenta emplacar a pauta, mas parece faltar maturidade suficiente para dissecar o assunto e discuti-lo sem politicagem, usando apenas o embasamento técnico.

Diante de tanta má vontade, egos elevados e outros adjetivos, quem vai pagar o “preço” são os servidores municipais. Ao que parece, e vem sendo demonstrado, a revisão da planta é a verdadeira “galinha dos ovos de ouro”. Pode-se dizer que o “futuro de Divinópolis” depende em partes desta revisão. Porém, a falta de parceria e entendimento de alguns parece um cabo de guerra entre Executivo e Legislativo, que poucos conseguem identificar. E, talvez, como este cabo deve estar “parado” no meio, a Prefeitura, com este possível parcelamento, pode pressionar os vereadores a tomarem uma atitude.  E, talvez, seja esta a ação que Divinópolis tanto precisa.

Sabe-se que não deve ser fácil colocar uma reeleição em risco sendo “o vereador que votou a favor da atualização da planta de valores do IPTU”, mas também não deve ser fácil administrar uma cidade que está com a planta desatualizada há 25 anos e com recursos presos no Estado. Convenhamos que Galileu teve peito de “fatiar esta babata quente” que caiu em seu colo. Mas, parece não ter, quem se esconde por aí para apenas falar e fazer o que o povo quer ouvir. Parece que quem não tem peito e maturidade para enfrentar a situação, são os “quanto pior, melhor”, que usam a proposta para fazer politicagem e, quem sabe, até mesmo barganha. Mas é aquilo que outro ditado popular diz: a hora do “ou vai ou racha” parece estar chegando, então, que venham os próximos capítulos da novela “IPTU Divinópolis”.

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