É o reflexo

Editorial - É o reflexo 

Ainda falta um pouco mais de um ano para as eleições majoritárias, mas o que não falta mesmo são políticos em franca campanha. Basta ver e analisar o comportamento de determinados vereadores que mal exerceram a vereança e já estão em busca de uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Claro que deputados em pleno exercício da função não ficam para trás. A verdade é que as campanhas políticas começam logo após o resultado das eleições anteriores. Engana-se quem acha que boa parte dos políticos, ao serem eleitos, se preocupam em exercer o seu mandato ‒ pelo contrário, cada ação é arquitetada já pensando nos votos que serão angariados na próxima eleição. Tudo é milimetricamente calculado, planejado e executado pelos ditos “representantes do povo”. 

E, se de um lado os políticos já estão a todo vapor em suas campanhas para 2022, por outro, os eleitores continuam no mesmo ritmo desde que ganharam o direito ao voto. Seguem suas vidas com aquele velho ditado: “política, religião e futebol não se discute”. Seguem com aquele conhecido comportamento de não estarem abertos ao diálogo, para o debate saudável e muito menos para estudar e entender como funciona o sistema político brasileiro, qual a função de cada órgão, de cada político eleito. A população apenas segue acreditando que esta postura adotada há pouco mais de 30 anos vai tirar o Brasil da situação que se encontra ‒ e não é de hoje. Sem qualquer tipo de interesse sobre a política brasileira, os eleitores optam pelo caminho mais fácil: o da busca incessante por um salvador da pátria. Pátria esta dilacerada a cada novos mandados nestas três décadas e pouco, sem dó nem piedade.

É triste, mas esta é a situação do país. Enquanto uns estão se armando fortemente para o embate do próximo ano, quem define o resultado desta “guerra” está indo para o campo de batalha sem colete a prova de balas. Segue acreditando que um herói vai salvá-lo de todos os males, esquecendo-se que é necessário estratégia e muito, mas muito estudo e honestidade. Os jogos já começaram e tudo indica que um lado – mais uma vez – com pouca ou nenhuma vantagem se prepara para laçar eleitores, que, perguntados pouco tempo depois, não sabem dizer em quem votaram. O outro lado faz a mesma coisa e assim sucessivamente. 

Porém a grande questão é: os políticos estão errados de já estarem em franca campanha e de se “aproveitarem” do povo? Definitivamente, não! Errado está quem não se interessa, não se abre para o diálogo, segue acreditando que heróis existem, que uma única pessoa será capaz de país com promessas mirabolantes. Errado está quem acredita piamente que os problemas do Brasil se resolvem de “cima para baixo”, quando na verdade quem está “lá em cima” é apenas o reflexo de quem está “aqui embaixo”. Voltando aos ditados, talvez nenhum represente tanto o Brasil quanto aquele que diz: “O povo tem os políticos que merece”. Essa é a triste e real situação do país quando mais uma eleição se aproxima. 

Apesar de o cenário não ser dos mais favoráveis, seguimos também com a esperança de que a situação mude, um milagre aconteça e o povo finalmente se interesse por aquilo que é responsável pelo seu futuro e de seus filhos: a política. Apertem os cintos, pois os jogos começaram...

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