‘O pai da obra’

Existe uma máxima da política que é “o pai da obra”. Funciona mais ou menos assim: o Poder Executivo – Governo Federal, Estadual ou Prefeitura – inicia uma obra, e depois, – se esta é concluída – vários políticos aparecem por aí afirmando que são os “pais” da obra, não pedem sequer DNA. E como no Brasil 30% da população é analfabeta funcional – sabe ler, sabe escrever, mas não sabe interpretar – o primeiro que diz ser o pai fica sendo, mesmo sem prerrogativas para tal. Na semana passada, foi abordado neste espaço o tema “soa bem, mas não funciona”, assunto ligado diretamente ao “pai da obra”. Se pode afirmar com 100% de certeza que o leitor, em algum momento de sua vida, viu e ouviu algum vereador ou deputado (federal ou estadual) dizer com todas as letras “Essa obra aqui tem minha participação”, mesmo quando a função de “fazer obras” não é responsabilidade de vereador ou deputado, afinal eles pertencem ao Poder Legislativo.

O Legislativo é um dos três poderes, ao qual é atribuída a função legislativa, ou seja, a elaboração das leis que regulam o Estado, a conduta dos cidadãos e das organizações públicas e privadas. Apesar da explicação objetiva e simples, muita gente – coloca muita gente nisso – não sabe que a função de vereador, deputado e senador é simplesmente criar leis e acredita cegamente que eles executam obras. As redes sociais têm ajudado a desmascarar alguns políticos “charlatões”, que insistem em enganar seus eleitores e batem no peito sobre a autoria das obras. De tempos em tempos, alguns cidadãos mais lúcidos conseguem ajudar aqueles que ainda estão desprovidos de conhecimento e mostram a verdade. E em Divinópolis, cidade da politicagem e de obra abandonada por aí sem pai, o que não falta são “espertões” que tentam se aproveitar da situação.

O governador Romeu Zema (Novo) fará, na próxima semana, sua primeira visita à cidade após sua eleição, e pauta para cobrar não falta. Na lista é grande: duplicação da MG-050, conclusão do Hospital Público Regional, finalização da ampliação do presídio Floramar e também a conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto do Rio Itapecerica (ETE Itapecerica), que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) prometeu para este mês. A lista é um pouco extensa e poderia ser chamada de “Lista de como o divinopolitano é feito de bobo”. Mas, muito além de promessas de governos anteriores, a “Lista de como o divinopolitano é feito de bobo” mostra que o divinopolitano é feito de bobo duas vezes: a primeira, ao acreditar que tais obras sairiam do papel; a segunda, quando creu em vereador ou deputado que grava vídeo dizendo “após a minha solicitação, o governador vai terminar esta obra”.

Não! Governador, prefeito e presidente só terminam obras paradas quando querem, quando lhes interessa ou quando alguém lhes interessa, é simples assim. Mais simples que isso só a soma de 2+2, que é igual a quatro. Mais simples e claro do que “vereador e deputado não fazem obra” – portanto, não são “pais” de nada – só da “Lista de como o divinopolitano é feito de bobo”.

 

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