‘Não vão me calar’, afirma vereador sobre processo de sindicato

Flávio Marra é acusado de promover ataques aos servidores do Crevisa por meio de pronunciamentos e publicações nas redes sociais

 

Bruno Bueno

O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) abriu ontem um processo contra o vereador Flávio Marra (Patriota). A ação coletiva, que conta com pedido de liminar, é justificada pelos ataques que, de acordo com a instituição, seriam realizados pelo parlamentar aos servidores do Centro de Referência de Vigilância em Saúde Ambiental (Crevisa). Conforme o sindicato, o vereador acusa os servidores de maus tratos e morte de animais, além de outras irregularidades.

 

Flávio usou seu pronunciamento durante a 79ª reunião ordinária da Câmara, na tarde de ontem, para falar sobre o assunto. Ele criticou a ação feita pelo Sintram e disse que só está fiscalizando o local.

— Vocês não vão me calar. Eu não tenho medo disso aqui. Vocês podem vir quente que eu estou fervendo. Eu estou no meu direito de fiscalizar e legislar. Se eu não fizer, vou prevaricar. Além de ser vereador, eu também sou presidente da Comissão Animal. Acho injusto o que vocês estão fazendo. (...) Fazendo isso aqui, sinceramente, eu não vejo apoio e força. Ao invés de somar, está dividindo — afirmou.

 

Questionou

O vereador prosseguiu questionando o Sintram se ele deveria ficar calado sobre as possíveis irregularidades.

— Vocês acham que eu vou ficar calado com médico veterinário pegando serviço às 7h e largando às 11h? Porque o ponto biométrico do Crevisa é no Centro e não no próprio Crevisa? É gente dando atestado em cima de atestado. E eu vou ficar calado? Eu não posso questionar? O próprio líder do governo fala que o vereador é imunizado por palavra, opinião e voto. Eu dei a minha contribuição para a população falando que tem alguns servidores do Crevisa que não querem trabalhar — relatou.

 

Em nota divulgada, o sindicato justificou a ação coletiva.

— Na petição, o departamento jurídico do Sindicato junta uma série de provas, especialmente vídeos postados em redes sociais, através dos quais o vereador ataca agressivamente os servidores, inclusive com acusações sem apresentar provas. Além de vídeos postados em suas redes sociais, o vereador também usa a Tribuna da Câmara para ataques aos servidores, fato que tem sido recorrente nas sessões deste ano — detalhou o Sintram em nota.

 

Indenização

De acordo com o Sintram, o pedido foi feito para provocar a exclusão imediata dos vídeos postados pelo vereador em que ele supostamente ataca os servidores. O sindicato ainda pede que ele seja condenado a pagar uma indenização de danos morais no valor de R$ 20 mil para cada servidor que atue no Crevisa. 

A reportagem teve acesso ao documento da ação coletiva. Na nota, o sindicato argumenta que os vídeos publicados pelo vereador fazem com que a população fique contra os servidores.

— Destaca-se, ainda, que o réu midiaticamente instiga a população a comentar os vídeos  produzidos, causando grande comoção da sociedade contra os representados do autor face à natureza dos supostos fatos. (...) Portanto, (...) deve o réu sofrer as consequências de seus atos ilícitos, pelo que deve reparar o dano moral provocado a cada servidor público municipal que labora no Crevisa, desde a edição dos vídeos, vez que colocou a população contra os ditos servidores municipais — explicou.

 

Responsabilidade

A instituição prossegue afirmando que o parlamentar deveria recorrer à Prefeitura, e não direcionar as críticas aos servidores.

— Ainda que as supostas irregularidades fossem procedentes, por mero amor ao debate, o réu não poderia imputar aos representados do autor quaisquer ofensas, muito menos criar, editar e publicar vídeos nas redes sociais, considerando que os ofendidos se tratam de servidores públicos, cabendo à Administração Pública Municipal a apuração dos fatos e aos ofendidos o contraditório — pontuou.

 

O vice-presidente do Sintram, Wellington Silva, em nota divulgada pela entidade, afirmou que os servidores estão sendo perseguidos por Flávio Marra desde o início do mandato.  

— Os servidores públicos, de modo geral, têm sido alvos do vereador desde o início do mandato, por isso é preciso ficar claro que o Sintram reconhece a ação fiscalizadora, mas repudia e não aceita que o servidor seja utilizado levianamente para ganhos políticos e é isso que nos parece estar acontecendo nesse caso especificamente — enfatizou.

 

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