“Não temos voz ativa no Estado”, cobra vereador

Falta de pressão política junto a secretaria estadual foi criticada durante reunião da Câmara

Matheus Augusto

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) conta com 77 deputados estaduais. Na nova legislatura, que tomou posse neste ano, 75 dos eleitos receberam votos em Divinópolis – ou seja, aproximadamente, 97,4%. No entanto, apesar da representatividade, os vereadores, durante a reunião da Câmara de ontem, criticaram a falta de “voz ativa” da cidade na hora de cobrar melhorias do Estado.

Saúde

O primeiro a abordar o tema foi o vereador Josafá Anderson (CDN). Segundo ele, apesar de a Saúde ser responsabilidade do Estado, a cidade tem carregado o fardo sozinho.

— Tive uma reunião ontem [segunda-feira] na Superintendência Regional de Saúde (SRE) aqui, com o superintendente Alan Rodrigo da Silva e o secretário de Saúde, Amarildo Sousa, para cobrar deles algumas reformas, melhorias, de aberrações que estão acontecendo em Divinópolis. A falta de saúde básica está superlotando a UPA e a falta de leitos está levando pessoas a óbitos. (...) Saúde é dever do Estado. O Município não aguenta mais carregar essa obrigação, que é do Estado, nas costas. Os postos de saúde estão com falta de médico e os Programas Saúde da Família (PSFs) encontram-se sucateados — explicou.

Ainda segundo Josafá é fundamental o apoio dos deputados para que, principalmente na Saúde, a cidade não enfrente um cenário ainda mais crítico.

— Divinópolis não está tendo voz no Estado diante do secretário de Saúde de Minas Gerais. Então, eu fui cobrar para que o superintendente fosse a nossa voz. (...) Nós precisamos engrossar a voz com o governador do Estado, em especial com o secretário de Saúde. É inadmissível o descaso com a Saúde em Divinópolis — pontuou.

Força política

Quem também cobrou apoio das lideranças estaduais foi o vereador Renato Ferreira (PSDB). O edil pediu para que a população exija de seus representantes o auxílio à cidade neste momento delicado.

— Dos 77 deputados que foram eleitos, 75 receberam votos em Divinópolis. Então, é hora de nós cobrarmos deles. O seu voto tem valor. Vamos cobrar dos deputados, de todos 75 que tiveram votos aqui em Divinópolis. A cidade está um caos. (...) Falta recurso, falta tudo. Saúde é obrigação do Estado. Vamos cobrar para que o governador se empenhe nessa questão. Nós não estamos tendo voz ativa no Estado. Em vez de ficar brigando nas redes sociais, vamos cobrar do governador, para que ele faça uma boa gestão para o nosso município — pediu Renato.

O vereador ainda aproveitou seu tempo de fala para ressaltar que a cidade, como uma das referências do Centro-Oeste em Saúde, acaba recebendo um fluxo maior de pacientes. Assim, segundo ele, é preciso tomar cuidado ao elogiar municípios vizinhos pelo atendimento na área da Saúde, visto que parte dos atendimentos é encaminhada a Divinópolis.

— Um dos municípios que está trazendo muito problema para nossa cidade é Nova Serrana. (...) É um transtorno. Eles pegam [o paciente], “jogam” na ambulância e mandam para Divinópolis. Assim é fácil falar que lá está bom. Nossa cidade está tendo dificuldade — destacou.

Propostas

Após receber o apoio do colega da Casa Legislativa, Josafá retomou seu pronunciamento e afirmou que fez algumas sugestões durante a reunião com o superintendente e o secretário municipal.

— Esse vereador não é de fazer somente críticas, mas também gosta de apresentar caminhos. [Pedi que ele] procurasse os três hospitais de Divinópolis para fazer uma parceria. Se cada um deles abrisse cinco leitos já seria de avanço para a Saúde em Divinópolis — explicou.

Ainda segundo Josafá Anderson, nos encontros que teve com o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, ficou perceptível que Divinópolis não tem força política diante da secretaria para exigir melhorias na cidade.

— Fica aqui minha indignação, no tocante ao secretário de Saúde do Estado de Minas Gerais. Por duas vezes eu já fui a Belo Horizonte conversar com ele e a cada reunião eu fico mais triste. Divinópolis, realmente, tem que tomar uma postura diante do secretário de Estado — finalizou.

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