À moda antiga

Amnysinho Rachid

Nesta semana, com toda esta paralisação, notei como a falta do que fazer transformou esse mecanismo de comunicação, as redes sociais, em um grande campo de guerra, a turma não tem meio-termo para agressão. A política e a religião são os temas mais explorados e a maioria perdeu a noção de respeito e educação.

Que saudade da época em que a coisa era mais leve e a maioria levava a coisa na brincadeira.

Os apelidos… Como eram engraçados! Hoje, conforme a brincadeira, vira processo na Justiça. Na minha infância, todo mundo tinha apelidos. Na vizinhança, era comum ter um “roia” de poço, um “oreia”, uma Olívia Palito, um bola, e assim a coisa ia.

Como lembro de um vizinho que tínhamos que era chamado de “Dengoso” e, para irritá-lo, eu dizia: “Ô, Charmoso”, e ele logo dizia: “Ô, Anizinho, não é charmoso, é dengoso”, adorava.

Uma das melhores brincadeiras que surgiram na cidade foi elaborada pelo amigo e padrinho Guilherme Jiboia e o jornalista Itamar Rodrigues. Eles criaram a lista das pessoas mais chatas de Divinópolis. Foi engraçado demais, eles colocaram a lista por ordem dos mais “burricidos” e mais cansados. A lista era afixada no Mercado Central e, no dia em que chegava, dava fila para descobrir quem estava nela. Essa façanha deu pano pra manga, quase morríamos de rir ao ver quando o nome da pessoa estava na lista e ela ia lá verificar. Até hoje tem muita gente que estava na lista e continua chata do mesmo jeito

Outra coisa muito comum era matar ou casar as pessoas por engano. Como a comunicação era mais lenta, o mais comum era o boca a boca e ali acontecia muito aquela coisa de “cada conto aumenta um ponto”, aí dava de tudo.

Lembro que, uma vez, me avisaram que a mãe de um amigo tinha falecido e eu senti muito mas não pude ir ao velório. Passados uns dias, estava eu, no fim da tarde, descendo no elevador do Costa Rangel, ozinho. O elevador parou em um andar e eis que entra a mãe, que eu jurava ter morrido, do meu amigo. Fiquei branco de susto, com certeza pensei ser um espírito, ela me cumprimentou e notou meu medo, disparou a rir e foi logo me falando: “Você deve estar achando que está vendo um espírito, pode me pegar”. Aí foi logo me contando que aconteceu uma confusão e a pessoa que morreu tinha o mesmo nome dela e a notícia saiu errada, me agradeceu por ter rezado por ela. Ri muito.

Acredito que as coisas eram mais leves e mais fáceis de administrar, as brincadeiras eram para relaxar, e não para magoar...

Em tempos difíceis, vamos deixar a vida nos levar. Fazendo o bem, que mal tem?

E continuo aqui, na Tok Empreendimentos, rua Cristal, 120, Centro, sendo feliz.

rachidmendes@hotmail.com 

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