“Mais Médicos” tem data de validade

 

Matheus Augusto

Divinópolis pode perder, nos próximos anos, 15 profissionais do “Mais Médicos”. O tema foi, mais uma vez, abordado na Câmara, durante a reunião de terça-feira, pelo vereador Josafá Anderson (Cidadania). Segundo ele, a cidade foi descredenciada do programa federal e tal situação causa preocupação. Ao Agora, a Prefeitura esclareceu que não se trata de descredenciamento, mas que os médicos do programa devem prestar atendimentos pelos próximos três anos.

Cobrança

Josafá disse que o desligamento de Divinópolis do programa “Mais Médicos” causa preocupação e já entrou em contato com deputados federais para buscar uma solução.

— Mais uma vez estou alertando aqui, por várias vezes tenho alertado, já encaminhei um ofício ao deputado Domingos Sávio [PSDB] e ao Fabiano Tolentino [Cidadania] do descredenciamento de Divinópolis do “Mais Médicos”. Vou repetir durante todo o resto de mandato para que fique bem claro o prejuízo que isso vai ser para Divinópolis — cobrou.

O vereador ainda disse que, com a aposentadoria de profissionais dos postos de saúde, o quadro de funcionários dos bairros deve ficar comprometido.

— Isso significa a não vinda da verba que sustenta os médicos dos PSFs [Programa Saúde da Família]. A Saúde já não anda bem e, se isso não for revertido, vai ser o caos na Saúde. (...) Divinópolis não pode ficar descredenciada desse programa — afirmou.

A Prefeitura, no entanto, esclareceu que não houve descredenciamento da cidade do programa, mas, sim, uma mudança no formato do projeto.

— O Município não foi descredenciado do “Mais Médicos”. O que aconteceu foi que o Ministério da Saúde elegeu as cidades que poderiam receber profissionais médicos de acordo com a classificação de vulnerabilidade do município — explicou o Executivo.

E, conforme declarou a Administração, os médicos que estão na cidade pelo programa podem permanecer por mais três anos.

— Divinópolis não foi considerada município elegível, entretanto os médicos que estavam aqui continuam até que vença o período deles no programa, ou seja, três anos ou até que o profissional deseje desligar-se do programa. É importante esclarecer que Divinópolis continua com adesão do programa vigente, e não foi descredenciada — ressaltou a Administração.

Obstáculos

Em apoio a Josafá, Ademir Silva (PSD) também citou que, com a saída dos profissionais do “Mais Médicos”, Divinópolis deve enfrentar um longo processo de espera para repor o quadro de funcionários.

— Hoje nós estamos tendo uma dificuldade grande de conseguir médicos para os nossos postos de saúde. (...) Eles não estão querendo vir trabalhar no serviço público municipal de Saúde — declarou.

A Prefeitura, inclusive, confirmou essa dificuldade.

— Desde esse acontecimento, a Semusa vem fazendo processos seletivos para contratação dos profissionais. Estamos no oitavo processo seletivo para médicos, porém sem muito êxito. Hoje foi publicada convocação de dois médicos de 40h do último processo seletivo — explicou.

Conforme o próprio secretário de Saúde (Semusa), Amarildo Sousa, já havia declarado em dezembro do ano passado, quando os novos profissionais do “Mais Médicos” chegaram a Divinópolis, o programa oferece um salário mais atrativo do que o Município consegue pagar. 

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