“Mais Médicos”: de 26 para oito

 

Matheus Augusto

Divinópolis continua sofrendo com a falta de médicos. O programa “Mais Médicos”, iniciativa do governo federal, deveria ser um auxílio nessa questão, no entanto, não tem sido suficiente. Cinco unidades de saúde estão sem um profissional formado em medicina. Das 18 vagas disponibilizadas pelo governo, dez continuam vazias — e sem previsão de ocupação.

Mais é menos

Através da parceira entre Brasil e Cuba, Divinópolis contava com 26 profissionais do “Mais Médicos”, conforme informou a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).

— Antes do encerramento do acordo internacional com o governo de Cuba, Divinópolis contava com 26 vagas para o programa e estavam todas preenchidas. Das 26 vagas, 18 estavam preenchidas por médicos cubanos e oito por médicos brasileiros — relatou a Semusa.

Ainda em novembro do ano passado, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anunciou o fim do convênio entre Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS). Todos os profissionais cubanos foram desligados do programa em Divinópolis. Em dezembro de 2018, 18 novos médicos, todos brasileiros, chegaram à cidade.

Como noticiado pelo Agora na semana passada, dez vagas do “Mais Médicos” estão desocupadas e sem previsão do Ministério da Saúde para reposição.

— Porém, no período de fevereiro a março de 2019, dez profissionais solicitaram desligamento do programa — informou a Semusa.

Ainda de acordo com a secretaria, não há previsão para que novos profissionais sejam contemplados por um novo edital.

Explicação

Segundo o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, Dr. Delano (MDB), a maioria do programa é composta por profissionais recém-formados à espera da residência.

— Quem pega a maior parte das vagas são os recém-formados, que acabaram de sair da universidade, apenas com o diploma de graduados. Eles, assim que passam pela residência médica, que acontece no primeiro ano, abandonam o “Mais Médicos” e vão fazer a residência, atrás de especializações — explica Delano.

Ainda segundo o presidente da comissão, falta uma estratégia para que os profissionais continuem no programa, a fim de evitar a alta taxa de abandono.

— Os médicos recém-formados deixam o programa sem dar satisfação porque passam na residência médica (...). Porém, a maioria quer se especializar. Esses, ao passarem na residência, abandonam o “Mais Médicos”. Esse é o sério problema. Não existe um incentivo para que esses médicos recém-formados permaneçam. Então, eles só continuam até passar na residência — afirmou.

Consequências

O efeito negativo mais perceptível é a falta de médicos nas unidades de saúde. Até a última semana, cinco pontos continuavam sem a presença de, ao menos, um profissional da categoria em seu quadro de funcionários, sendo eles: Estratégia Saúde da Família (ESF) Jusa Fonseca/Paraíso, ESF Santos Dumont, ESF Candidés, ESF Ermida I e o Centro de Saúde (CS) Antônio Fonseca.

— Outros problemas enfrentados pelo Município em decorrência deste desligamento de parte dos profissionais do “Mais Médicos” é a superlotação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a possibilidade de perda de recursos para o Município — informou a Prefeitura no fim de fevereiro.

Importância

O programa do governo federal é fundamental para a cidade. Segundo o secretário Municipal de Saúde (Semusa), Amarildo Sousa, durante a chegada dos novos profissionais em dezembro, o “Mais Médicos” oferece um salário mais atrativo.

— O “Mais Médicos” supre essa necessidade e se torna um programa mais atrativo. Para Divinópolis, hoje, significa a possibilidade de completar as equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF), sem o problema de processo seletivo, que a gente tentou várias vezes e não conseguiu — ressaltou Amarildo.

Segundo informou a Prefeitura no início do ano, são pagos R$ 9.361,21 por 40 horas semanais. No entanto, através do “Mais Médicos”, o salário chega a R$ 11.865,60 por 32 horas semanas. 

 

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