'Lockdown não funciona', diz vereador sobre pedido do Estado para fechar academias em Divinópolis

Eduardo Azevedo se mostrou contrário a decisão do Comitê

Bruno Bueno

A reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Covid, que decidiu pela proibição do funcionamento de academias, salões de beleza e clubes em Divinópolis foi assunto durante a 34º Reunião Ordinária da Câmara Municipal dos vereadores, ocorrida na tarde desta quinta-feira. A decisão vale a partir do próximo domingo. Entre os parlamentares que se posicionaram contrários a decisão do Estado, que também impede a realização de eventos atrativos culturais e naturais, como teatros e cinemas, o vereador Eduardo Azevedo (PSC) se mostrou um dos mais incisivos.

'Não funciona!'

Para o parlamentar, os estabelecimentos que sofreram a proibição não aguentam outro fechamento. Eduardo também disse que lockdown não funciona.

— Zema (governador), Fábio (secretário de Saúde), chega! As academias não aguentam mais! Os bares, restaurantes e eventos não dão conta mais! Eu acho interessante que eles querem fazer medidas mais restritivas, então por que você não corta seu salário e dá pros comerciantes, Fábio? Que saco, cara! Vira e mexe já foi comprovado que esse negócio de 'lockdown' não funciona! Academia promove saúde, bem estar! — disse.

O vereador também disse que frequenta as academias e, por isso, as considera seguras.

— Eu sou frequentador das academias e vou defendê-las até o fim, pois sei o bem que elas fazem pras pessoas. Quem fala que as academias estão transmitindo o vírus é porque não frequenta. Muito pelo contrário, o CNAE do profissional de educação física deveria ser na área da saúde, pois ele promove saúde. Até quando vai ficar esse abre e fecha? Essa palhaçada? Quer medidas mais duras? Tira da sua própria carne e não sacrifique esse povo, porque eles não dão conta mais! — explicou.

Roger Viegas

Outro vereador que se pronunciou contrário a decisão do Estado foi Roger Viegas (Republicanos), vice-presidente da Câmara. O parlamentar também disse que não concorda com as medidas feitas pelo Comitê.

— Essas medidas acabam trazendo mais problemas para nossa cidade. A gente sabe dos dados, número de mortes, casos, taxa de ocupação de leitos e índice de contaminação, (...) mas Divinópolis não pode ser sacrificada novamente por outros municípios. Eu entendo algumas decisões do secretário, mas nas academias os treinos são contínuos, elas não podem parar. A gente discorda de algumas medidas e tenho certeza que o Comitê Municipal fará o possível para não restringir demais, já que tem outras cidades próximas que não vão ter que fechar — afirmou.

Quais as mudanças?

Conforme informações do Comitê, fica proibido a realização de eventos, atrativos culturais e naturais. Além disso, o funcionamento de academias, clubes e salões de beleza também não será permitido. 

O consumo em bares e restaurantes da cidade será permitido somente até 19h. Após esse horário, somente o delivery poderá funcionar, sem retirada em balcão.

Secretário

Segundo o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, as medidas restritivas foram necessárias para conter a disseminação do vírus.

— Esta gradação dentro da onda vermelha é importante, pois estamos em um momento heterogêneo da pandemia no estado, com cenários diferentes, porém críticos. Dentro destas diferenças, ressaltamos a necessidade de medidas mais restritivas, ainda, para evitar o estresse do sistema de saúde — explicou o secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Baccheretti. Segundo ele, o momento ainda é de incidência alta da covid-19 no estado. 

 

Ondas

ale lembrar que a macrorregião Oeste continua na onda vermelha, juntamente de outras 10 outras áreas do Estado. Somente as macrorregiões do Triângulo do Norte, Vale do Aço e Norte estão na onda amarela. Segundo o Comitê, existem 250 pacientes suspeitos ou confirmados para covid-19 aguardando internação em leitos de UTI, em Minas Gerais.

 

 

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