'Jeitinho brasileiro'

Editorial

A Prefeitura de Divinópolis realizou, na última semana, uma coletiva de imprensa com a vice-prefeita, Janete Aparecida (PSC), e o secretário de Saúde, Alan Rodrigo, para explicar o motivo de o site do Município ter “caído” durante as inscrições dos profissionais de saúde para a vacinação contra a covid-19. Mas o assunto não se resumiu à imunização. A vice-prefeita revelou que estava recebendo ligações de pessoas pedindo para ela “dar um jeitinho” para que fossem imunizadas. Revelou que em alguns momentos chegou a ser ameaçada por causa da campanha de vacinação.

O secretário de Saúde, por sua vez, trouxe à tona que os servidores são constantemente assediados por causa da vacinação. Todos pedem para eles deem aquele “jeitinho”, o conhecido “jeitinho brasileiro”. O fato de o sistema da Prefeitura não ter suportado os acessos ainda é justificável, pois ali estavam pessoas que atendiam aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde (pelo menos espera-se). O que assusta mesmo é ver que em pleno 2021, com um ano de pandemia, milhões de explicações, de orientações, conscientizações e até mesmo desenhos, esclarecendo de A a Z o porquê de tais grupos serem priorizados, algumas pessoas simplesmente insistem em dar aquele “jeitinho brasileiro”.

Tal comportamento só reforça o motivo de sermos um país de terceiro mundo e escancara que a corrupção não começa em Brasília. Essas atitudes só reforçam que ainda temos muito a aprender e que somos um povo extremamente hipócrita, pois exigimos um comportamento dos nossos representantes que nós não temos. A população quer, exige um comportamento íntegro, quando ela mesma não é exemplo. O povo quer evolução, mas não quer evoluir, insiste na mesma postura de seus pais, avós, bisavós. E é justamente aí que a conta não fecha, pois, como algo é mudado, sem que todos estejam unidos em um único propósito? Está mais do que provado que é justamente esse “jeitinho brasileiro” que só afunda o país na lama, que é ele que não deixa o Brasil evoluir e que a corrupção não começa lá de cima. Ela está mais presente no dia a dia do povo do que se pode imaginar.

Quando uma pessoa que não faz parte de determinado grupo prioritário de vacinação liga para um prefeito, uma vice-prefeita, um deputado, um vereador, um senador ou um servidor, pedindo para que deem um jeitinho para ela possa ser vacinada, na frente de outras pessoas que realmente pertencem àquele grupo de risco, ali ela mata a esperança de um dia o Brasil evoluir. Quando se vê outros países vacinando em massa, salvando empresas, comprando vacinas, atingindo metas de vacinação e diminuindo a transmissão da covid-19, ali não está apenas o trabalho dos políticos, ali está o trabalho do povo também. Afinal, é como dizem por aí, “uma andorinha não faz verão”. E, se o povo tem o que político que merece, o Brasil está a “pé” de ambos: de povo e de políticos.  







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