‘Homens grávidos’

Preto no Branco

‘Homens grávidos’ 

Confesso que há muito tempo não via uma coisa tão bizarra. Divinópolis, próxima de completar seus 109 anos – como se não bastasse a ausência de comemoração em mais um aniversário ‒, é obrigada a passar por uma vergonha nacional. Além dos fura-filas habituais, pessoas sadias se passando por doentes, homens tiveram o disparate de se cadastrar como gestantes para burlar o cadastro e se inscrever na vacinação. Ainda bem que os técnicos da Saúde descobriram a farsa antes. E se isso não tivesse ocorrido, como se apresentariam? De peruca, maquiados, braços raspados e barriga postiça? Os que não têm barriga de cerveja, é claro. Chegariam a este ponto? Para ter coragem de fazer o que fizeram, não dá para duvidar nem um pouquinho.

Vergonha nacional 

Infelizmente, não é a primeira vez que a “Cidade do Divino” é motivo de chacota nacional. Vira e mexe, aparece em noticiários em nível de Brasil, mas de forma negativa. Quem não se lembra da operação Pasárgada, que prendeu cinco prefeitos em Minas Gerais e o lixo hospitalar enterrado em lote rodeado de vizinhos, por exemplo? Triste para todos que amam esta cidade e almejam seu desenvolvimento por meio de conquistas em todos os segmentos, mas é a realidade. Quando haverá uma melhora? O tempo vai passando e a tarefa parece cada dia mais difícil. Mas, só ressaltando que, para isso  acontecer, a participação do povo é fundamental. Primeiro, dando o exemplo, não cometendo atos como esse da vacina. Para cobrar retidão dos seus representantes, é preciso tê-la, senão, é como “dar murro em ponta de faca”.

Atestados médicos 

Todas as irregularidades constatadas pela Prefeitura já foram encaminhadas ao Ministério Público (MP). E não é para menos, afinal, são cerca de 200 casos suspeitos.  Entre as aberrações apontadas estão supostas fraudes na apresentação de atestados falsos de comorbidades. As doenças campeãs alegadas nos documentos, são hipertensão e diabetes. E um fato que chama atenção na apuração é a quantidade de declarações emitidas por médicos neste ato inescrupuloso. Não se sabe quem é pior: a pessoa que pediu ou a que forneceu. Neste caso, pode-se apontar tranquilamente o profissional de saúde, pois ele, sim, como conhecedor da doença e o que pode causar a quem realmente tem riscos altos, não poderia comungar com a prática. Seja quem for, que tivesse pedido. O que se espera agora, no mínimo, é que estas pessoas sejam identificadas e punidas como merecem. 

Egoísmo impera 

Como se não significasse “nada” a participação de estagiários de saúde que também teriam apresentado documentos falsificados de que atuam na linha de frente para serem vacinados, há suspeita ainda da mesma prática na direção de um hospital para favorecer parentes. É incrível como, diante desta situação, se comprova mais ainda o tanto que o ser humano se tornou egoísta e a cada dia mais pensa apenas no seu próprio umbigo. Ao favorecer quem não corre risco maior, em nenhum momento, não parou para pensar que o outro poderia perder a vida por causa da sua escolha. Não é por acaso que, aos poucos, o caos vem tomando conta do mundo. 

Mais rigor 

A Prefeitura diz que tornará as etapas do cadastro e triagem mais rigorosas ‒ atitude que pode atrasar o andamento da vacinação, e desnecessária, caso as pessoas tivessem mais consciência e amor ao próximo. Agora, como “os justos sempre pagam pelos pecadores”,  para se eximir da responsabilidade em possível nova fraude, a pessoa que se cadastrar para vacinar precisará preencher um termo citando a comorbidade, os remédios que utiliza no tratamento e há quanto tempo foi diagnosticada com a doença. Medida acertada diante da situação, mas vergonhosa na cidade que teve o primeiro caso de covid registrado em Minas e montou uma força-tarefa excepcional à época para o enfrentamento ao vírus. 

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