‘Game over’

Israel Leocádio 

Olá! Hoje quero iniciar nosso bate-papo falando sobre um tempo passado, e muito especial, que muitos da minha idade poderão identificar. É sobre um tempo em que uma criança ou adolescente não possuía um game em sua residência. Nem imaginávamos, nos dias de minha adolescência, que um dia existiria wi-fi (Wireless Fidelity = “fidelidade sem fio”); que teríamos aparelhos celulares, com jogos incríveis (e complexos); que teríamos nosso próprio computador em casa ou coisas desse tipo. Isso era ficção, que assistíamos em nossa TV, geralmente em transmissões em preto e branco. Minha realidade era outra. Nós, quando precisávamos jogar, juntávamos umas moedas (subtraídas) do lanche na escola e procurávamos um lugar (geralmente, bar ou conveniência), que tivesse um “incrível e fantástico” fliperama. Eram vários jogos diferentes, um em cada máquina – é claro! Pegávamos nossas moedas e investíamos em fichas que, geralmente, nos davam o direito de cinco tentativas para avançar nas fases do jogo. No meu caso, passava algumas horas diante de uma daquelas máquinas.

Dizem que a vida é cheia de fases. Alguns até fazem brincadeira com elas! Não sei quem fez tal afirmação, mas sei que faz sentido. Até mesmo na Bíblia, a vida é vista como fases e etapas. O apóstolo Paulo escreveu: Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (1 Coríntios 13.11).

A vida é cheia de fases e etapas. Cada uma delas carrega seu charme e também suas dificuldades. Mas, viver é existir. Melhor: viver é seguir existindo. Logo, viver é superar fases, mesmo que não seja totalmente nossa vontade. O fato é que enquanto existimos enfrentamos coisas novas, surpresas agradáveis e desagradáveis e o que devemos é enfrentar os desafios.

Lembro-me de meus jogos de fliperama. De como não era fácil o início de cada nova fase do jogo. No princípio (quando joguei a primeira vez), a primeira fase parecia intransponível! Não me recordo, mas sei que foram muitos lanches que deixei de comer na escola, apenas para superar a primeira fase. E quando a superei... Uau! Que sensação incrível! Entrei em êxtase, que durou alguns segundos, porque logo veio a segunda fase. E outro desafio aparentemente insuperável estava ali, diante dos meus olhos, perguntando-me se teria coragem de prosseguir. Isso me levava a mais uma série de tentativas, para uma nova fase; e outra série de tentativas, e outra fase... Parecia não haver fim! A pior parte desses desafios ocorria em dois momentos: primeiro, quando levava a mão em meu bolso e descobria que não tinha mais fichas; a segunda, quando o fliperama acendia um letreiro dizendo: game over (fim de jogo). Isso era terrível! Porém, não significava que a máquina havia estabelecido minha derrota final. Não! Apenas significava que eu retornaria outro dia e tentaria novamente! E, mais cedo ou mais tarde, venceria aquela fase também.

Na realidade, com o tempo, percebi que a disputa não era com o jogo de fliperama. A disputa era comigo mesmo, com os meus limites, com a minha vontade de vencer, com a minha determinação em continuar, com a minha vontade de superar. E, hoje, vejo muita semelhança daqueles momentos lúdicos da minha adolescência com a vida adulta. No jogo da vida, em que passamos fases e enfrentamos inimigos inesperados, não é a vida que está sendo testada, mas somos nós! É o quanto você está disposto a vencer que o fará tentar novamente. É o quanto você está determinado a superar essa etapa da sua vida que o fará acordar e determinar a você mesmo: “vou tentar novamente!”. É sua vontade de chegar ao fim do jogo e sair-se vencedor que fará continuar tentando e tentando... Se você der mais valor à frase game over e parar, então não foi a vida que venceu você. Foi você quem desistiu de lutar até sair vencedor!

Não falo isso de mim mesmo. Aprendo com a Bíblia! Na realidade, a Bíblia é meu livro de aconselhamento diário. Nela, encontro palavras inspiradas pelo Espírito Santo, como as do apóstolo Paulo, que diz: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos” (2 Coríntios 4.8,9). Desistir não é uma opção para aquele que crê em Deus! Entenda e firme-se nisso: prosseguir, sempre; parar, nunca; desistir, jamais. Supere essa fase. Seja perseverante!

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