‘Freud em Pessoa' analisa o Brasil e quer colocar o presidente no divã

 

Jorge Guimarães

Após o sucesso pelos palcos de Divinópolis e região, a Associação Dramágico de Teatro está percorrendo Minas Gerais para depois ultrapassar as fronteiras do estado e atravessar o atlântico levando na bagagem a peça “Freud em Pessoa”. Nesta nova empreitada já tem apresentações agendadas em Curitiba, Londres e Portugal, além de negociações para temporada em São Paulo.

— É urgente colocar o Brasil no divã, e ninguém melhor do que o próprio pai da psicanálise para isso — avalia o ator Valério Peguini.

Visão

Freud é vivido no palco por Valério Peguini como resultado de um projeto de extensão da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) campus Divinópolis. Uma experiência que transformou a visão dele sobre o austríaco Sigmund Freud e as pessoas em geral.

— Quando tive acesso aos fatos que marcaram sua vida e suas descobertas, percebi que tinha elementos dramáticos suficientes para realizar um espetáculo. Não se trata de uma biografia dele, mas, sim, de um pequeno retrato sobre sua vida — explica Valério.

Entrevista

E em recente entrevista ao blog Ezatamentvhy, do jornalista Hélio Filho, quando da divulgação da peça em São Paulo, Valério Peguini teceu algumas ideias, respondendo a perguntas sobre a realidade de Freud nos dias atuais. Vale a pena destacar algumas de suas ponderações que refletem muito o atual momento político do Brasil.

Hélio Filho - Qual tipo de contribuição você espera dar com a peça? É uma provocação?

Valério Peguini - O espetáculo é provocativo em muitos aspectos. O “bloco” político, por exemplo, é repleto de críticas aos Estados Unidos, avanço do nazismo, empáfia de Hitler e segregação racial. Há 100 anos não se falava sobre sexo. E algumas de suas teorias se baseiam nisso. Suas ideias permanecem atuais e polêmicas até os dias de hoje.

É possível analisar as personagens políticas atuais ou nem Freud explica o que estamos vivendo em tempos de fake news e pós-verdade?

Freud certamente explicaria essa onda como uma retenção sádico-anal avessa ao prazer e, ao mesmo tempo, uma conduta mais agressiva nos negócios e na política. Freud já preconizava essas ideias que vivemos hoje. Boatos eram publicados sobre sua saúde e sua morte. Há 100 anos, Freud já era alvo das fake news.

Quem você colocaria no divã?

Colocaria o presidente Jair Bolsonaro (PSL), pois acredito que ele não tenha saído da fase anal. Seus discursos incoerentes com o cargo que ocupa, seu desprezo pelas minorias, seu ódio aos homossexuais podem revelar desejos reprimidos que só mesmo Freud poderia explicar. Ou nem mesmo Freud explicaria tamanha boçalidade.

Acompanhe a agenda de apresentações em www.facebook.com/divinaciadeteatro.

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