'Eu não vou parar de defender o tratamento precoce', afirma vereador

Parlamentar respondeu críticas de médico que foi procurado para usar os medicamentos

Bruno Bueno

Um dos assuntos mais debatidos no Brasil desde o começo da pandemia não ficou de fora da 28º Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Divinópolis, ocorrida na tarde desta quinta-feira. Mais uma vez, o tratamento precoce foi pauta de discussão entre alguns vereadores, principalmente do parlamentar Eduardo Azevedo (PSC), entusiasta da prática, que afirmou, durante seu pronunciamento na Tribuna Livre, que não vai parar de defender o tratamento em Divinópolis.  Vale ressaltar que a terapia, defendida com frequência pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), consiste no uso de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina e outros, todos sem comprovação científica contra a doença.

Relatório

A fala do vereador aconteceu após a vereadora Lohanna França (CDN) apresentar o relatório mensal da Comissão de Saúde da Câmara, no qual os parlamentares Zé Braz (PV) e Israel da Farmácia (PDT) também fazem parte. A pauta do relatório foi sobre o depoimento do médico Dr. Hygor Cabral, que relatou ter sido procurado em seu local de trabalho, posto de saúde do bairro Bom Pastor, no último dia 31 de março, pelo vereador e outros três médicos. Na ocasião, Hygor afirmou que eles sugeriram o uso do tratamento precoce na cidade, porém, o médico plantonista disse que não iria levar o caso para frente, visto que não o remédio ainda não tem comprovação científica.

— Com relação ao tratamento precoce, o depoente considera ser uma perca de tempo insistir no protocolo. Pois já houveram pacientes que fizeram o uso do mesmo, de maneira particular, e que faleceram dois dias depois. Enquanto não houver registros científicos, o médico não adotará, por considerar inútil — disse Lohanna França durante a leitura do relatório.

Indireta

O vereador afirmou, no começo do seu pronunciamento, que recebe várias indiretas que, na opinião do parlamentar, tentam impedí-lo de falar sobre o tratamento.

— Sempre tem uma coação, indireta ou fala que tenta nos impedir daquilo que nós aceitamos e temos convicção. Alguns médicos da cidade, vocês estão morando aonde? Aqui é Divinópolis, aqui predomina a democracia. Não vai ser médico, que vem na comissão de saúde, que vai me impedir de falar sobre o que eu tenho certeza — disse.

O parlamentar prosseguiu dizendo que não vai parar de defender o tratamento.

— Vamos parar com hipocrisia, pelo amor de Deus. Não tem ninguém forçando a nada. Se você não quer se medicar, não impeça os que querem. Eu não vou parar de falar e defender o tratamento precoce. Tem vereador mandando indireta em rede social, no grupo de WhatsApp, teve a denúncia do Conselho Municipal e muitas outras coisas. Eu não vou parar — afirmou.

Opcional

Eduardo também disse que o remédio é opcional e pediu, pra quem não gostasse da prática, que não impedisse o uso dos medicamentos.

— Meu pai teve covid e foi tratado pelo tratamento precoce, a família inteira do meu pai foi tratada pelo tratamento precoce e ainda tem vereador que teve covid e fez o tratamento. Respeitem! Se vocês não querem, também não atrapalhem. Deixa a pessoa ter um livre arbítrio, não sou eu que estou dizendo, são médicos — salientou.

Por fim, o parlamentar disse para que não tem medo das intimidações que recebe.

— Doutor Hygor, não precisa tentar me intimidar. Eu não tenho medo e vou continuar falando. Está vendo essa denúncia feita contra mim no Ministério Público? Ela foi arquivada. Estamos em um país democrático, vocês não tem que impor nada pra ninguém. O remédio dá resultado sim — completou.

 

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